quarta-feira, maio 08, 2013

pedra no charco

Estou triste hoje...
... levei com umas pedradas no charco...

... depois de 3 anos com uma turma, nem um aluno vai escolher artes visuais no secundário...
... não os condeno. Já são crescidos e sabem tomar decisões. Eu é que fico a pensar nas minhas aulas... nos exercícios que lhes proponho...

... acho que não sei ser melhor professor...

Hoje estou triste...
... espero estar melhor amanhã...

10 comentários:

Pedro disse...

E quem disse que o melhor professor é aquele que recolhe vocações para o seu métier? A capacidade de discernir também se educa.

Sofia Luiz disse...

Acho que não tem a ver com as tuas capacidades como professor, mas com uma questão de probabilidades. Qual a probabilidade de um aluno ter capacidades e interesse artísticos inatos? E se calhar até tem, mas ou é muito novo para o discernir ou tem uma família que o dissuade de enveredar por artes. Há tantas variáveis... decerto que o problema não é o professor.
Força Mário!

Henrique Vogado disse...

Pode ter a ver também com conselhos das famílias, face ao período de crise que atravessamos. Tal como cresce a sensação de que a cultura, as artes não trazem benefícios ao país. Ideias de políticos que não conseguem olhar para um futuro a mais longo prazo.
Na minha ideia, um bom professor pode influenciar os gostos, a criatividade, mesmo que as escolhas sejam em àreas de estudo diferentes.

Anónimo disse...

Stor, não é culpa sua que ningúem queira escolher artes.Aliás, por sua causa toda a gente da turma ficou a desenhar melhor e aprendeu a pensar de maneiras diferentes.E,acredito que algumas pessoas só não vão para artes pois não têm apoio nem familiar,nem dos amigos (pois vão perde-los na área que escolhem).Portanto não fique triste e continue a sorrir,como sempre fez :D

Mário Linhares disse...

Obrigado a todos!

Já passou...
Acho que estou demasiado apegado a esta turma...

Vitor Mingacho disse...

O melhor teste às tuas capacidades de transmitir conhecimento é reencontrares um dos teus ex-alunos, daqui a 10-15 anos, e ele dizer-te que, sendo advogado, economista, informático, ou tendo qualquer outra profissão, continua a desenhar ou a ter interesse por questões relativas às artes.

diário-gráfico - turma C disse...

Stor, o stor foi um dos melhores professores que já tive e ainda tenho. Se há coisa que nunca me vou esquecer é de tudo o que o stor já me ensinou e ainda ensina obviamente, todos os dias. Não há maior alegria que ir para a escola e entrar na turma do 9C, a turma que o stor construiu ao longo de todos estes anos. Muito provavelmente vai deixar de ser meu professor para o ano, mas se há coisa que eu não vou esquecer, nem eu nem ninguém que já passou pela turma, é que o stor nunca desistiu da nossa turma, por mais problemas que surgissem. Muito obrigada por tudo o que já ensinou, tanto em relação às artes como também em relação a nós próprios. Tal como já foi dito, "continue a sorrir, como sempre fez".

Borboleta Serrana disse...

Sou professora de Ciências, gosto do que faço e , o ano passado, a maioria dos alunos que tive a sorte de ter por 3 anos, seguiu ciências. Fiz um bom trabalho?! Não sei! Fiz com paixão? Nem sempre. Sou melhor professora que os meus colegas de desenho, história...?!Provavelmente não.
A única certeza que tenho é que os nossos alunos estão condicionados nas suas escolhas. Uns pela sociedade, outros pela família, outros por conceitos errados que construiram!
O meu filho seguiu Ciências, mudou para economia e finalmente encontrou o seu caminho nas artes. Pena não ter ido logo para artes! um dia disse-me: "Achei que artes era passatempo e que devia seguir outra área". Hoje questiono-me no que é que errei.

Sim também fico triste! 5ªf estava profundamente triste com a vida-a-vida na minha escola. tenho dias assim e outros de extrema alegria.
Os nossos alunos seguirem a nossa área, não é sinal do nosso sucesso; e os nossos alunos não seguirem a nossa área não é sinal de que algo em nós está errado. Temos de ser nós mesmos e tentar, nem que seja apenas em algumas aulas, fazê-los sentir a paixão que nos move, o motor da nossa engrenagem.
Já me perdi! enfim, queria apenas dizer que o mais provável é que tenha sido o melhor professor que eles tiveram. Pena o meu filho não ter tido a mesma sorte.

Mário Linhares disse...

Obrigado pelos vossos comentários. Obrigado mesmo...

Realmente as nossas escolhas são mesmo difíceis de tomar. Até a minha de falar com os alunos e tentar não condicionar aquilo que é a minha visão da sociedade e das pessoas que podem intervir nela...
... cada um com o seu papel especial...

Respeitar a liberdade de decisão das pessoas é das coisas mais incríveis e difíceis de se fazer. Deixar que decidam por si, com as convicções que têm no momento...

Mas no outro dia uma aluna pediu-me para ser honesto com ela e dizer-lhe a minha opinião sincera, sem ter medo de que isso fosse condicionar o quer que seja. E fui o mais honesto possível. Expliquei-lhe como a nossa sociedade ia ficar mais valiosa se ela escolhesse artes, como ela fazia falta e podia fazer a diferença.
Não tenho uma bola de cristal, claro, mas há pessoas que têm esse carisma de nós querermos trabalhar com elas. Lembramo-nos delas quando precisamos de alguma coisa. Sabemos que com elas vai tudo correr bem, que vão muito mais longe do que nós pedimos, que ultrapassam o nosso entendimento, vêem o que nós não vemos...

Esta minha aluna é assim...
E se ela me pediu para ser honesto, tive de ser...

Borboleta Serrana disse...

Abençoada honestidade!