sexta-feira, junho 21, 2013

exames


A época de exames nacionais deixa-me sempre várias sensações...

A primeira é a mais egoísta: "que perda de tempo eu ter de estar numa sala durante duas horas e meia com tantas outras coisas que tenho para fazer". Estas são mesmo as horas gastas mais parvas dos meus dias...
Depois deixo-me levar pelos rostos dos alunos que estão a fazer o exame. Penso nas horas que eles estudaram antes de chegar ali. Toda aquela concentração em função de um objectivo que pretendem atingir. Todo aquele nervosismo de quem sabe que não pode falhar...

... saber que não se pode falhar é mesmo o grande ensinamento da escola dos últimos séculos. Ninguém  se preocupou em educar-nos para o erro, como lidar com ele, como apreciá-lo e construir a partir dele...

Mas viva o desenho! Valoriza tanto o processo que o erro pode tornar-se o elemento mais importante...

quarta-feira, junho 19, 2013

Nas ruas de São Bento

Inaugura amanhã, na Fundação Mário Soares, às 18h00, a exposição coletiva dos urban sketchers portugal. Eu tenho lá dois desenhos. 
É pouco, mas foi o possível!

sábado, junho 15, 2013

Passeio de turma

O dia começou de bicicleta. Bem cedo. De casa ao comboio são 5 min. Apanhei o comboio das 7h08 que levou 32 min. a chegar a Entre Campos. Mais 10 minutos a pedalar e estava no ponto de encontro.

Chegados a Constância, passámos a manhã inteira a fazer canoagem no Zêzere. Ainda pensei levar o caderno para a canoa, mas era demasiado perigoso. Demasiado mesmo, porque a canoa acabou por virar-se e levar-me à água...


Ao almoço, pedi para desenhar um dos meus alunos. Durante todo o processo, acabámos por apanhar um escaldão nas pernas. O desenho é uma actividade lenta, demorada e focada. No meio de tudo até nos esquecemos do resto...
O Artur é um rapaz cheio de talento. Pensa como um engenheiro, gosta de desafios e enigmas para resolver. A informática é a sua área de eleição, especificamente programação.


A seguir ao almoço passeámos pela vila e só houve tempo para desenhar uma parte da praça Alexandre Herculano (que está no desenho acima), pelo que só consegui voltar a desenhar alunos dentro do autocarro. Claro que, com toda a tremideira, tive de optar por fazer desenhos cegos. Foi o possível...

Dos cinco feitos, houve um em que não fui capaz de colocar o nome. Queria que tivesse corrido bem, mas foi mesmo um desastre. Ok, é desenho cego, mas há desenhos que queremos mesmo que corram bem e normalmente são esses que correm mesmo mal...
Hoje, na festa final de ano do colégio, vou tentar redimir-me e desenhar a Mariana em condições!

segunda-feira, junho 10, 2013

workshop: museu de S. Roque


Criaram-se as condições para que acontecesse um workshop em parceria com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. São tantas as possibilidades que decidiu-se começar pelo museu e igreja de S. Roque. Se tudo correr bem, este será o primeiro de vários em diferentes locais...

No dia 30, das 10h às 18h, vamos ter a possibilidade de ter uma visita guiada ao museu, desenhar e relacionar algumas das peças mais emblemáticas e entrar em zonas com acesso restrito como o terraço da igreja e os dois torreões que têm uma vista fenomenal sobre Lisboa.

Será um dia em cheio. Parece-me que é a não perder!

Inscrições e esclarecimentos para o meu mail: linhares.mr@gmail.com

segunda-feira, junho 03, 2013

Lisboa: Rua da Conceição


Lisboa é mesmo uma cidade incrível para desenhar. Tem tudo: luz, colinas, cabos eléctricos, quarteirões ortogonais, ruas a subir e a descer e em curva, o castelo, o Tejo, pessoas em movimento, em esplanadas, turistas a olhar para o ar, etc, etc...

Esta Rua da Conceição faz-me sempre viajar para o tempo em que estudava nas Belas-Artes. E que viagem bonita!

domingo, junho 02, 2013

Coleccionar sons

Sons que inspiram uma história...
Os desenhos são do que vemos.
A história é sobre o que ouvimos...

sábado, junho 01, 2013

A máquina certa


Há terrenos que decidimos percorrer que não podem ser pisados de qualquer maneira.
Muitos nos dizem: "não vás por aí que não tens hipóteses" ou "por aí não vai dar nada"...
Ficamos a olhar para os terrenos sem saber o que fazer. Queremos ir por ali, mas parece que não nos deixam. Queremos seguir em frente, mas parece que nos querem convencer que não temos as características certas para o fazer, que é mais seguro ir pela estrada ao lado.

Ontem tive de deitar cá para fora o que me ia na alma. Mostrar que há terrenos que só podem ser feitos de tractor, contra tudo e todos. 
Qual é o problema de estarmos habilitados a conduzir um Ferrari e, ainda assim, escolhermos um tractor? 
Há terrenos que só podem ser lavrados por algumas pessoas, as mais talentosas. Vão ter de lavrar muito, claro, porque a terra é dura no início. Vai dar muito trabalho, mas os frutos não crescem no alcatrão nem nos carreiros de atalhos, nascem na terra boa, aquela que nós cuidamos diariamente e, por isso, a conhecemos. Vamos descobrindo onde semear cada semente, cada coisa no seu lugar, até conseguir tirar da terra as melhores colheitas, aquelas que nenhum outro conseguiria tirar...

Andava com um peso na alma há demasiado tempo...
Ontem fiquei aliviado...
É tão difícil ajudar sem condicionar...
Acho que é mais difícil do que convencer alguém que um tractor é melhor que um Ferrari!

quinta-feira, maio 30, 2013

segunda-feira, maio 27, 2013

Castro Laboreiro

Fica a 500 quilómetros de Lisboa, mas vale a pena!
No planalto de Castro Laboreiro encontramos estes monumentos megalíticos.


O que impressiona verdadeiramente é saber que estão ali há milhares de anos. A maioria das mamoas ainda estão tapadas, intactas desde sempre...
Ao estar ali no planalto, sem barulho nenhum, com cavalos ao fundo, numa paisagem de perder a vista, lembrei-me do meu professor de História da Arte da faculdade de Belas-Artes. Dizia ele que o primeiro homem religioso foi o que enterrou pela primeira vez um humano...
... acho que ele tem razão. Quando nos questionamos sobre a vida, não conseguimos ficar-lhe indiferentes...
Foi impressionante estar ali a desenhar!


Na procura por mais dólmens (o túmulo em pedra) descobertos, fui andando pelo planalto até chegar à parte espanhola. 
A vedação que nos separa é tão frágil...
Somos mais parecidos do que imaginamos...


Talvez não se perceba bem aqui, mas o planalto é mesmo assim: revestido de uma calma transbordante...