sexta-feira, março 28, 2014

Piazza della Rotonda - Pantheon


O Panteão de Roma é um edifício verdadeiramente brutal...
Construído inicialmente como templo dedicado a todos os deuses romanos, foi reconstruído pelo imperador Adriano como templo dedicado a todos os deuses.

O meu desenho é reflexo de uma procura pelo menos óbvio. A mancha tenta sugerir uma vista a 3/4 de frente e o lápis tenta representar a lateral, a frente e a parte de trás. Às vezes, com o desenho, é possível mostrar várias vistas, várias camadas, texturas, ambientes...
Era isso que procurava aqui e, embora o resultado final não seja o mais fantástico, a verdade é que desperta em mim todas estas memórias...

quinta-feira, março 20, 2014

Piazza di Spagna


De partida para os Açores. É assim que quero falar deste desenho feito na Piazza di Spagna em Roma.

O desafio era estar 10 minutos no topo da escadaria e desenhar lá de cima. Depois descer para meio e desenhar mais 10 minutos, finalizando em baixo com mais 10 minutos a desenhar a olhar para cima. No final deveria ficar apenas um conjunto, ou seja, as linhas deveriam continuar de uns desenhos para os outros...

O exercício foi proposto por dois antigos alunos meus que já estão na faculdade e que também foram a Roma connosco. A Carolina estuda arquitectura e o Hugo pintura. São pessoas de excelência...

É engraçado que é exactamente assim que vejo tudo a acontecer na minha vida. Olha-se para o conjunto e há uma certa harmonia, embora de perto se percebam as diferenças de todos os momentos vividos. 

É assim que vejo esta viagem aos Açores. Mais um momento que só pode estar ligado a tudo o que tem sido feito. De outra forma seria impossível. Tentarei desenhar ao máximo e contagiar os outros com o desenho, já que me apaixona tanto...

quarta-feira, março 19, 2014

Piazza S. Pietro

              a.C.                  séc. I d.C.            séc. XVI                  séc. XVII                    séc. XXI

"Todas as vezes que        "E realizará       "Deve ajustar           "Não só como            "O que vejo não é
o pintor afirmar             um mau             os seus olhos           se vêem, mas            só o que vejo, mas
imitar as coisas como     quadro."            ao raciocínio           também como           como vejo. É por
as vê, está a errar."                                segundo os              devem ser                 estar em 2014 que
                                                             princípios da           representadas."         vejo Deus a partir
                                                             arte que ensina                                       do desenho. Vejo
                                                             como ver as                                            o sagrado e o pro-
                                                             coisas."                                                  fano nesta praça.
                                                                                                                          Este território é
                                                                                                                          sagrado, mas nunca
                                                                                                                          deixou de ser pro-
"A terra era                    "Deus                "Faça-se luz.            "Foi o primeiro         fano. Antes do
informe e vazia."            movia-se           E a luz foi feita."      dia."                       circo de Nero ele
                                     sobre a                                                                          já cá estava...
                                     superfície das                                                                 ...não há nada mais
                                     águas."                                                                          sagrado do que o
                                                                                                                         profano. É mesmo
                                                                                                                         assim!"

terça-feira, março 18, 2014

Gérard Michel







É isso mesmo: tenho finalmente o livro do Gérard Michel. Que honra tremenda...

É um livro para folhear devagar sob pena de se ter uma overdose de bons desenhos. Não é justo passar rapidamente as páginas só porque são todas tão boas. Há que saber parar para ficar a degustar...

Há desenhos assim, como há também pessoas assim. O Gérard e os desenhos dele são isso mesmo...
O livro pode ser adquirido através deste link.

segunda-feira, março 17, 2014

2ª edição + 1ª edição


Vai sair em breve a 2ª edição do livro Palavras do livro do Desassossego, para a qual o editor me pediu mais ilustrações, no sentido de enriquecer esta segunda edição. Tive a oportunidade de escolher os textos que gostaria de ilustrar, o que foi muito especial...

Um dos que escolhi foi esta frase que está na pág. 39:
"Isto está tudo tão decadente que já nem decadentes há."

A minha ilustração final (que está acima), acabou por não entrar nesta segunda edição...

Saiu entretanto o livro O guardador de rebanhos. Gostei muito de fazer estas ilustrações. Alberto Caeiro coloca-nos a um canto...
Acabei de receber os meus exemplares e gostaria de voltar a sortear um livro às pessoas que visitam o meu blogue. Deixem um comentário se estiverem interessados!


quarta-feira, março 05, 2014

Roma - Museus do Vaticano


Os Museus do Vaticano são tudo aquilo que se possa imaginar... 
Há lá, no entanto, uma capela que tem um íman e atrai toda a gente num corrupio desenfreado para ver os frescos do Miguel Ângelo. E vale a pena, claro, porque é avassaladora a obra dele. Imaginá-lo ali a pintar é algo difícil de compreender...

Mas pelo caminho fica uma das mais emblemáticas esculturas da história da humanidade: o bom pastor, datado do séc. III d.C., trata-se da escultura mais antiga com referências cristãs. Pensar em quem fez a encomenda, onde esteve exposta é também algo difícil de imaginar e compreender...

No final, a bonita escada em caracol não nos deixa sair dos Museus sem a sensação de estarmos a cometer um acto erróneo. Só a escada dá vontade de andar ali como as crianças, a subir e a descer, a observar e comentar todos os detalhes, a deixarmo-nos arrebatar pela constante surpresa...

Enfim... Roma é assim mesmo. Deixa-nos arrebatados...

domingo, fevereiro 16, 2014

4 dias em Roma



De 12 a 15 de fevereiro estive a desenhar em Roma.
Chegámos tarde e estava frio, mas deu tempo para ir fazer desenhos nocturnos ao Castel Sant'Angelo.

domingo, fevereiro 02, 2014

Côte d'Ivoire


Não era suposto publicar aqui desenhos da Costa do Marfim, até porque o livro deverá sair em breve, mas não posso resistir a relacionar 5 desenhos que fiz com 5 vídeos que acabaram de ficar online pela mão do grande Yves Callewaert para a campanha Getinspirit.

O nome do rapaz é Bakayoko (nome da família) Mepono (nome próprio). No vídeo aparece Mepondo e fico na dúvida sobre qual é que está certo, porque era difícil perceber o sotaque.

Este é um rapaz tímido e pouco falador. Observava-nos de longe, sorria e escondia o olhar. Este foi o texto que escrevi depois de o desenhar:


Este era um rapaz que eu não pensava desenhar. Nunca me tinha apercebido dele, tantas eram as crianças de Marandallah. O carro abandonado, por outro lado, já me tinha chamado a atenção, mas não o queria desenhar de forma isolada. Quando se proporcionou este contexto, era impossível deixar escapar. Para mim, este é o triunfo de África sobre o mundo ocidental. Quando penso nas famílias cada vez mais mono descendentes da Europa comparadas com as numerosas africanas, penso no triunfo do homem sobre o que ele produz. Somos sempre mais do que aquilo que fazemos, sempre mais...


Get Inspirit with Bacayoko Mepondo from Inspirit on Vimeo.

sábado, janeiro 25, 2014

Pantógrafo humano



Ao contrário do que se possa pensar, a maioria das vezes são os alunos e as turmas que puxam por nós para os levarmos a experimentar o desenho em territórios onde nunca imaginariam...

sábado, dezembro 14, 2013

prensa ou pressão?


Que vida a nossa! É uma correria todos sabemos.. começamos de manhã e só paramos quando nos deitamos...
No meio de tanta tarefa, poucas são as coisas que ficam devidamente terminadas e bem feitas. 

Quando olho para esta dupla página vejo exactamente isso. 
- Um auto retrato iniciado parado no trânsito por causa de um acidente, mas que se ficou pelo olho porque os bombeiros e a polícia resolveram rapidamente a situação;
- Manchas de cor para preparar desenhos de um outro dia;
- Um cacto que queria muito desenhar até que alguém apareceu para conversar;
- Duas cabaças ainda por terminar;
- E uma prensa ali a voar...

A prensa foi a que me levou mais longe na reflexão. Que objecto pesado ali a pressionar a nossa atenção. Aquele eixo central comanda tudo, pressiona ou alivia. Basta rodá-lo. Por vezes é bom aliviar a pressão, mas, tal como na gravura, sem pressão não há resultado final. Quanto mais pressionamos melhor é a gravura, os contrastes, a definição da tinta. No entanto, se pressionarmos de mais, o desenho pode ficar danificado...
Sem pressão a prensa torna-se um objecto decorativo, algo em potência mas sem uso...

A minha prensa está bem pressionada nestes dias. Estou ansioso pelo alívio da subida...

sexta-feira, dezembro 13, 2013

sorteio desassossegado








Aqui estão os resultados! 
Acabei por sortear dois livros (é o espírito natalício...).

Fred Barreto e Maria João, enviem-me um mail para que vos possa enviar os livros por correio.

Obrigado por participarem neste mini concurso desassossegado! 

quinta-feira, dezembro 12, 2013

2º retiro de diários gráficos: 2014


Porque o primeiro retiro ficou esgotado praticamente numa semana, comecei a levantar a possibilidade de fazer um segundo no fim de semana da Páscoa. Não foi fácil garantir a casa para estes dias, mas eis que tudo se resolveu e abre-se agora a possibilidade deste 2º retiro de diários gráficos em Veneza.

Os temas são misteriosos, eu sei. Vou fazer algo que nunca fiz: desvendar um pouco...

- Como é que os vendilhões do templo se podem relacionar com o desenho? Que limpeza é preciso fazer?

- A César o que é de César implica saber o lugar de cada coisa. No desenho, saber que técnica para cada situação. Se não damos a César o que é de César podemos correr o risco de não conseguir a limpeza necessária...


E mais não posso desvendar!
Que viagem misteriosa esta que coloca as linhas pretas e desenhadas da caneta em confronto com as palavras escritas dos evangelhos... 

Estão abertas as inscrições: linhares.mr@gmail.com

Lugares disponíveis: esgotado