segunda-feira, janeiro 05, 2015

The Urban Sketcher book

O Marc Holmes editou, no final de 2014, este livro. Recebi-o e estive a ler nestas últimas semanas as propostas de exercícios e a forma como ele desvenda o seu método de trabalho. Decidi colocar aqui um post porque fiquei muito agradavelmente surpreendido com a qualidade do livro!


O título da capa diz tudo: o desenhador urbano, técnicas para ver e desenhar in situ.


O livro divide-se em três capítulos: um sobre o uso da grafite, outro sobre desenho a caneta e tintas e outro sobre aguarela.


Gostei muito desta introdução sobre o que é o urban sketching. O discurso é direto e simples, sem grandes arabescos literários.


Não imaginava que me identificasse tanto com a forma como ele explica o uso dos materiais, técnicas para despistar erros de visualização e como encoraja perante as possíveis dificuldades ou erros.


Decidi escolher um exercício por capítulo. Neste, a estratégia é ir do geral para o particular, procurando sempre as zonas de sombra para trabalhar a mancha. O resultado final é sempre bom!


Como eu prefiro sempre desenhar a caneta, este é o meu capítulo preferido.


Aqui, a linha bem solta, mas com a certeza de traço é o ponto forte do exercício. No final, como se vê, são acrescentados os contrastes mais evidentes com mancha a negro.


O capítulo sobre aguarela é um verdadeiro deleite para os olhos. As propostas que ele apresenta são excelentes!


Todos os exercícios são muito bons, mas o que se destaca é o modo como são mostradas as diferentes fases do desenho até chegar ao resultado final. O segredo é igual em qualquer parte do mundo: começar pelos tons mais claros e terminar com os mais escuros.


É muito agradável encontrar desenhos de Lisboa num livro editado no Canadá! 


Este é, definitivamente, um dos melhores desenhos que conheço feitos pelo Marc Holmes. A composição é linda e é possível ver o processo de trabalho aqui.


Resumindo:
O mais positivo: todo o conteúdo e o discurso simples e direto.
O que podia estar melhor: ter capa dura (não é bom para vender online, mas é tão bom para quem compra!)

Como é um excelente presente para nós próprios ou para oferecer a alguém, deixo aqui a imagem com o link directo para a Amazon:

domingo, janeiro 04, 2015

Jerónimos



Nesta sessão da letra jota do Alfabeto Lisboeta, era impossível não ir desenhar os Jerónimos. Os resultados foram positivamente surpreendentes com o primeiro exercício. No segundo, que nos colocou de pescoço levantado a olhar para o teto e logo para baixo para o caderno, as maiores dificuldades foram as dores de pescoço...

quarta-feira, dezembro 31, 2014

Um dia...


... que começa comigo a desenhar-me e a desenhar no comboio. As pessoas vão saindo e entrando. Só eu e a minha brompton é que permanecemos...


... e continua com as aulas de desenho que têm tido cada vez mais importância, sobretudo porque me ocupam muitas horas. Por isso, vou criando e adaptando mais exercícios, para não me aborrecer nem aos alunos. Desenhar ao longe, mais perto ou muito perto, para vermos de modo diferente e tentar que o desenho mostre isso mesmo...


... no final, cansado e sentado num dos bancos do comboio, pego numa das páginas de experiências para desenhar o rapaz que está sentado à minha frente. Quando se levanta, desenho o lugar vazio à frente. Quando já não está ninguém, volto a desenhar a brompton...

... há coisas que são passageiras e outras que permanecem. Por vezes descobrimos que umas são outras em vez das primeiras. Foi assim o meu 2014.

domingo, dezembro 28, 2014

Porto Alegre: zona Sul


Último dia em Porto Alegre, últimos dois desenhos desta viagem.
A Elisete e a Liliane disseram-me que eu não podia sair do Rio Grande do Sul sem experimentar um show Gaúcho. Após algumas voltas de carro, entrámos na churrascaria Galpão Crioulo onde havia carne à descrição, música e dança com fartura...
Saí de lá a rebolar e, para que a visita a Porto Alegre não ficasse incompleta, levaram-me à zona Sul da cidade onde está a marina e uma zona costeira de fácil acesso ao lago Guaíba.


Se todos os dias anteriores tinham sido fantásticos, este último foi mesmo memorável. Fui tão bem recebido e tratado por todos que fiquei mesmo com vontade de voltar.
Um especial obrigado à Liliane e Elisete por terem passado este último dia comigo. A Liliane deu-me boleia (carona) até ao aeroporto consagrando toda uma amabilidade não esperada.

Senti-me verdadeiramente em casa!

sábado, dezembro 27, 2014

Porto Alegre: Jabuticaba


Quando fui ao mercado de Porto Alegre, perguntei o que era mais típico para comer. O Flávio respondeu de imediato: "Jabuticaba - o fruto que só há no Brasil".

Não comprámos nesse dia porque os que haviam estavam todos moles, mas no sábado, no mercado de rua perto do parque da redenção, o Flávio comprou-me um saco cheio de Jabuticaba e ainda me contou uma história:

Quando o primeiro ministro do Japão visitou pela primeira vez o Brasil no mandato do Lula da Silva, assim que chegou, pediu para ir comer "jabuticaba no pé", que corresponde a tirar directamente o fruto do tronco da árvore. Segundo os brasileiros, é uma das melhores experiências gastronómicas que se pode ter.
Assim, lá foi a comitiva política pela selva adentro, na região de São Paulo, para comer o fruto tão apetecido que só existe no Brasil. De tal forma é a identificação com o fruto que, quando acontece algo tipicamente brasileiro, eles têm o costume de dizer que isso é uma "jabuticaba" como metáfora àquilo que se poderia chamar de "brasileirada".

Lindo!

quarta-feira, dezembro 24, 2014

Presentes


Embrulhámos hoje os últimos três presentes.
Porque é disto que se trata o Natal: fazermo-nos presentes e deixarmos que alguém se torne presente na nossa vida.
Não interessa o interior do embrulho, apenas a presença que ele representa...

Santo Natal e muitos presentes!

terça-feira, dezembro 23, 2014

Porto Alegre: Usina do Gasômetro


Há um bar flutuante mesmo em frente à Usina do Gasômetro que é como viajar aos anos 80. Quando me sentei, reparei nos caixotes do lixo pendurados, nas mesas e cadeiras de plástico da coca-cola, o gradeamento meio enferrujado e tudo me fazia lembrar os tempos do meu pai enquanto gerente de restauração nessa época. Vejo hoje fotografias e até a roupa é igual. É impressionante...

Fazer este desenho foi, por isso mesmo, como reviver a minha infância em adulto. 
No momento achei todos aqueles sentimentos muito estranhos, mas agora dá-me saudades este local porque me põe a viajar. 
Gostava de lá voltar, mas desta vez com os meus pais. Acho que sentiriam o mesmo que eu...

segunda-feira, dezembro 22, 2014

Porto Alegre: casa de cultura Mário Quintana


"Todos estes que aí estão
atravancando o meu caminho,
eles passarão...
eu passarinho!"
                      Mário Quintana, 1978


Vista de um dos torreões
da Casa de Cultura
Mário Quintana, o poeta
mais acarinhado de 
Porto Alegre...



Foi maravilhoso conhecer o Flávio Morsch e deixar-me conduzir a pé por ele nas ruas de Porto Alegre. As conversas fluíam sem parar. Parecíamos amigos de longa data...

Mostrou-me a Casa de Cultura Mário Quintana. Subimos a um dos torreões, sentámo-nos e ele começou a falar-me da história do edifício (que era um hotel), onde o poeta Mário Quintana viveu toda a sua vida, num quarto oferecido pela gerência. Pesquisava excertos de poemas dele e ia-me lendo enquanto eu desenhava.

Foi um dia especial este, muito especial...

domingo, dezembro 21, 2014

Porto Alegre: Iberê Camargo


A Fundação Iberê Camargo, desenhada pelo Siza é desconcertante...
Quando lá cheguei foi inevitável sentir-me em "casa". É estranha e confortável a sensação de estar junto a uma obra tão longe de Portugal, mas que sabemos que foi desenhada no nosso pequeno rectângulo.
As costas completamente cegas, sem janelas, estendidas numa vertical contra a vegetação selvagem contrastam com uma frente ziguezagueante virada para o lago Guaíba.

Estava fechado por estarem a montar uma nova exposição do Iberê e não consegui entrar nem por nada, o que foi uma verdadeira tristeza. Não sei se voltarei a Porto Alegre e foi mesmo uma oportunidade perdida para conviver por dentro com esta peça de arte arquitectónica...

sexta-feira, dezembro 19, 2014

Porto Alegre: conferências


Não sabia que a língua gestual do Brasil se chama LIBRAS (língua brasileira de sinais) e foi uma surpresa ter ao vivo sempre alguém a traduzir as conferências.

O trabalho da Paula Mastroberti é absolutamente acutilante. Vale a pena ver.
O da Andrea Hofstaetter é de uma densidade muito respeitável.

Foi muito bom ter estado e aprendido com elas!