terça-feira, dezembro 31, 2019

Music Sketching


Depois de muito tempo de preparação com a Fundação Gulbenkian, eis que as sessões de Music Sketching já têm data marcada e as inscrições estão abertas!

Poder participar nos ensaios gerais da orquestra e coro Gulbenkian é uma oportunidade verdadeiramente imperdível. Além de assistirmos às pequenas afinações e correções por parte do maestro, poderemos desenhar bem perto dos músicos.

Cada sessão terá um tema para desenhar e exercício específico criado a partir das peças musicais que vamos apreciar:

22 de janeiro: Temperatura musical 
Peças: 
. Inferno, de Nuno da Rocha 
. Concerto para Piano e Orquestra, em Sol maior, de Maurice Ravel 
. Daphnis et Chloé: Suite n.º 2, de Maurice Ravel 


12 de fevereiro: Criações abstratas 

Peça:
. A Criação, Hob.XXI:2, de Joseph Haydn 


4 de março: Composições em verso 

Peça: 
. Evgeni Onegin, op. 24, de Piotr Ilitch Tchaikovsky 


11 de março: Quadrípticos 

Peças: 
. Quatro peças sacras, de Giuseppe Verdi 
. Sinfonia n.º 9, em Ré menor, de Anton Bruckner


Serão sessões de 3h30, onde haverá tempo para desenhar e apreciar a música. A estrutura será a seguinte:
18h30: ponto de encontro nas bilheteiras do Edifício Sede da Fundação
18h40: apresentação do tema e exercício de desenho
18h55: entrada para o grande auditório
19h00: início do ensaio da orquestra e coro Gulbenkian / sessão de desenho
20h30: possível intervalo (o horário do intervalo depende do maestro): feedback ao trabalho feito
21h00: continuação
22h00: fim da sessão 

Nota importante: o maestro pode decidir terminar o ensaio mais cedo, ou nem fazer intervalo. 

Inscrições: clicar nos títulos a vermelho acima!

segunda-feira, outubro 14, 2019

Retiro de diários gráficos em Nápoles


Nápoles, a cidade que nos remete imediatamente para Pompeia, é o local escolhido para o próximo retiro de diários gráficos.

Há sempre quem me pergunte o que é o retiro. 
Penso que a melhor resposta se define assim:
O retiro de diários gráficos é uma partilha de exercícios de desenho de observação criados a partir do cruzamento entre o mundo artístico (pinturas, esculturas, filmes, livros) e uma seleção de textos bíblicos.

Os exercícios propostos são também o resultado da minha investigação de doutoramento.

Em Nápoles, os temas a desenvolver são:
- Viagem subterrânea
- O pó da terra
- Adamah
- Pompeia
- A colheita
- O som do Vesúvio
- Passado-presente-futuro

Há novas datas possíveis para 2022:
17-21 . março, 2022 [esgotado]
31 . março - 4 . abril, 2022 [esgotado]
7-11 . abril, 2022 [uma vaga]

Contactem-me por email (linhares.mr@gmail.com) para saber mais pormenores.

segunda-feira, setembro 23, 2019

Alfabeto Lisboeta [2019-20]


Há muito que queríamos homenagear os artistas que viveram e/ou trabalharam em Lisboa. De A a Z, vamos debruçar-nos sobre 26, aprender com eles, e desenhar a partir do seu trabalho.

O Alfabeto Lisboeta vai na 6ª edição! 
Eu, o Zé e a Ketta temos os neurónios a explodir de ideias e estamos ansiosos que as sessões do alfabeto comecem. A primeira é a 12 de outubro e a última a 11 de julho.

Para quem está disposto a pisar novos territórios lisboetas, aprender mais sobre Arte e, sobretudo, sobre o desenho, estão oficialmente abertas as inscrições!

Program completo e todas as dúvidas: linhares.mr@gmail.com



Mais um Alfabeto, mais cultura, mais arte, mais desenho!

terça-feira, junho 04, 2019

Florence: Piazzale Michelangelo


"Eu falo às Paredes foi o título que Jacques Lacan deu à série de seminários que realizou na capela do Hospital Psiquiátrico de Santa Ana, em Paris, entre 1971 e 1972. Lacan escolheu como epígrafe este pequeno poema de Antoine Tudal: 

«Entre o homem e a mulher
Há o amor. 

Entre o homem e o amor 
Há o mundo 

Entre o homem e o mundo 
Há uma parede.»

Fê-lo para recordar que no amor está sempre em jogo um obstáculo, um afastamento, uma distância irrecuperável - uma parede, justamente. Ele explora depois as associações sonoras que se podem estabelecer entre «parede» (o termo francês é mur) e «espelho» (miroir) ou entre «parede» (mur) e «amor» (amour), e sugere dois neologismos: muroir, a «parede-espelho», e (a)mur, a «parede que é uma não-parede». E acaba a explicar por que motivo devemos aceitar falar para as paredes: contra elas, a voz do amor ressoa."

José Tolentino Mendonça, O pequeno caminho das grandes perguntas


Tive uma cadeira nas Faculdade de Belas-Artes que se chamava Estudos Culturais e funcionou durante dois semestres. 
O primeiro - Estudos Culturais I - com o prof. Fernandes Dias, revelou-se uma grande aventura de conhecimento sobre cultura material e humana, exposições e abertura de horizontes sobre o debate etnológico.
O segundo - Estudos Culturais II - com o prof. João Peneda, foi completamente diferente, mas igualmente interessante. Abordámos a invenção do termo, mas fomos muito mais longe, aprofundando Freud e Lacan, assim como o trabalho de Paula Rego e a crítica de arte (ou seria de pensamento) de Slavoj Žižek.

Hoje sei que a convicção de escrever tudo o que se passava dentro da sala de aula me fez estar mais atento. Não processei tudo o que ouvi (nem seria possível), mas sei onde procurar quando for necessária mais informação.

Ao ler o livro do Tolentino Mendonça, quando encontrei o nome Jacques Lacan, veio-me um sorriso à cara e, assim de repente, com uma clareza simples, tudo fez mais sentido. 

...

Florença, 2018, Piazzale Michelangelo
Será que temos de entender na plenitude, hoje, a narrativa da Paixão da semana santa? 
Não, não temos.
Mas se a vivermos com o máximo de intensidade, um dia, também ela terá um sentido cristalino.

terça-feira, maio 21, 2019

Workshop no Porto


No próximo dia 8 de junho irei orientar dois workshops no Porto, um de manhã e outro à tarde.
O Porto é lindo, está com uma dinâmica incrível e tive a honra de ser convidado para esta formação, integrada em dois ciclos culturais. Aqui fica o programa completo do dia:

10h30: ponto de encontro na Rotunda da Boavista
Exercício 1: aprender a desenhar uma árvore.
Exercício 2: aprender a desenhar um conjunto de árvores.

13h00: almoço

15h00: ponto de encontro à entrada do Cemitério de Agramonte
Exercício 3: como conciliar a arquitetura com a escultura
16h30: partilha final e feedback

O programa completo sobre o Ciclo Cultural dos Cemitérios do Porto pode ser visto aqui.

As inscrições são gratuitas e online através deste link.

domingo, maio 19, 2019

Florence: Santa Maria del Fiori


Ando a estudar hebraico.
Não que o doutoramento o exigisse, mas uma conjugação de fatores fez com que tomasse esta decisão. 
É difícil. Preciso praticar muito...

O ano passado, quando desenhei a Duomo de Florença, encontrava-me entre exercícios do retiro de diários gráficos, a caminho do almoço. Havia ainda tempo e fiz este desenho rápido. Havia tempo, mas não demasiado, pelo que alguma coisa teria de ser simplificada. Neste caso foi o batistério.

É assim mesmo: temos tempo, mas nunca o suficiente e há que encontrar uma solução de compromisso. Dedicarmo-nos ao que vale a pena e deixar apenas sugestões do que poderia vir a ser se existisse mais tempo.

Ainda não sei o que vai acontecer quanto ao hebraico. Já sei ler, claro, desde que tenha as vogais, pois só com as consoantes é todo um outro mundo.
Veremos se o hebraico ganhará em mim espaço para crescer. Para já, sou eu que lhe estou a dedicar tempo...

sábado, maio 18, 2019

Florence: tentações


Escrevi um texto sobre este exercício aqui.

Fiz também outro desenho com o mesmo enunciado.
Estes desenhos em cadernos ganham uma outra dinâmica quando os enunciados alargam o nosso entendimento...

domingo, dezembro 16, 2018

Conferência: O Espiritual no Desenho - Os escrúpulos e o lava-pés


Uma das tarefas que pedem aos doutorandos, tal como aos académicos, é que estruturem a sua investigação em artigos e os comuniquem publicamente para que o conhecimento saia do seu pensamento e possa estender o dos outros.

O facto de ter um tópico de investigação que toca o mundo das Belas-Artes e o da Teologia, fez com que me debruçasse seriamente sobre os dois. Por isso, inscrevi-me das duas Faculdades, para entrar mais a fundo nos dois temas. E tem sido uma aventura incrível...

Enquanto nas Belas-Artes a investigação se faz de modo autónomo, na Teologia, estou mesmo a ter aulas com alguns dos melhores professores sobre os temas bíblicos e sinto-me a abrir horizontes e a aprofundar assuntos que sempre conheci, mas agora de um modo muito mais completo.


Entretanto, as Belas-Artes organizaram um Congresso sobre Desenho chamado Expressão Múltipla. Submeti este tema e foi aceite!

A minha comunicação será quarta feira, dia 19 de dezembro, às 17h40.
Irei falar e mostrar desenhos sobre:
- os escrúpulos
- a viagem
- o lava-pés
- o desenho do quotidiano

segunda-feira, dezembro 03, 2018

Indonesia: Ambon


Acordei bem cedo nesta primeira noite em Ambon, pelas 5h da manhã. Na noite anterior, tinha combinado com o Donald Saluling ir desenhar o mercado de peixe. Estava pronto às 5h30. Desci as escadas e fui para a recepção do hotel. Só ali é que se apanhava wifi. Enviei um sms ao Donald, mas a seta do whatsapp indicou apenas mensagem entregue. Esperei, mas nada mudou. Enviei nova mensagem a dizer que ia à procura de algo para desenhar nas redondezas. Andei, andei, andei...

A cidade estava deserta. Passavam apenas alguns carros.
Sentei-me neste cruzamento e continuei a experimentar a caneta hero, aquela que permite linhas grossas e finas. Nada contente como resultado, enviei novo sms ao Donald, desta vez a usar dados móveis do cartão indonésio que comprei em Jakarta. Eram umas 6h15 e a seta do whatsapp já dava sinal de mensagem lida. Cinco minutos depois, estava a sair deste lugar par ir ao mercado. Ficou assim mesmo, muito branco, muito inacabado, uma desgraça...
Não tinha ainda o texto nem aquela cama de rede com a criança a dormir. Acrescentei-os nesse dia à tarde...



A urgência de ir ao mercado de peixe tão cedo prendia-se com duas razões: a) o mercado tem uma beleza especial quando os pescadores estão a chegar de barco; b) às 8h30 saíamos de carro para ir desenhar outra zona da ilha, pelo que havia pouco tempo de manhã.

Quando chegámos, no interior, o caos estava instalado. Quase não havia espaço e a metáfora certa é que se tinha de andar em bicos de pés...
Só havia uma opção: desenhar do lado de fora. Fomos andando até chegarmos às traseiras do mercado, precisamente o local onde os pescadores estavam ainda a descarregar o peixe. 
Abrimos os cadernos e logo todas as possibilidades se abriram para nós:
- Quem um banco? Do que precisam? Temos chá, querem?
Olhei para o Donald e sorrimos ao mesmo tempo. Mais uma vez o poder do desenho a manifestar-se...

Depois... depois foi o que todos os desenhadores viajantes sabem. A experiência de desenhar com meia multidão a espreitar pelo ombro, comentários, risos, conversas em línguas diferentes, qual Babel e, no fim, uma correria para chegar a horas ao autocarro que nos levaria para o outro lado da ilha...

sexta-feira, novembro 30, 2018

Indonesia: Ambon


A meio de outubro deste ano estive na Indonésia. Fui convidado para desenhar e dar formação numas ilhas remotas chamadas Banda. Nunca tinha ouvido falar. Fui pesquisar e descobri que deveria saber desde sempre que ilhas são estas. As ilhas da noz moscada que os portugueses encontraram por via do mar.
Mas sobre as ilhas Banda terei tempo de falar...

Aterrei em Jakarta e fui direto para o quarto. O voo para Ambon era logo na manhã seguinte.
Era o segundo dia na Indonésia - estava há mais de 30 horas em movimento desde que saíra de Lisboa e, depois de um jantar incrível que me lembrou muito Timor-Leste, só à noite houve tempo para desenhar. 
Este caderno gigante estava a desafiar-me para pensar nas composições. Desenhei o pouco que se via deste parque muito frequentado para horas tão avançadas da noite. Não se via quase nada, apenas algumas luzes iluminavam telhados, colunas, arvoredo...
Ficou assim. Uma pequena franja horizontal a caneta preta, à espera que no dia seguinte algo mais acontecesse na página.

A grande árvore, feita a aguarela e aparo, estava mesmo à entrada do forte Amesterdão, noutra zona da ilha Molucas (mais uma viagem de 2 horas de carro). Lentamente, linha a linha, fui deliciando-me a pensar na história que esta árvore já testemunhou. 
Claro que a escala está exagerada em relação à cidade. A árvore também não pertence àquele contexto urbano, mas, para mim, esta combinação improvável estimulava o imaginário e o pensamento. Estou a ser fiel ao que desenho à minha frente, mas coloco-o no caderno descontextualizado...

Arranca assim a minha crónica sobre a viagem à Indonésia. 
Cada página é uma mistura de ambientes diferentes.
Não será uma cronologia perfeita, tal como a nossa.
O que é a perfeição?