domingo, novembro 08, 2015

Baan Sukhumvit 21


Este foi o último desenho que fiz em Banguecoque. Foram 16 ao todo numa semana. Queria ter feito mais (quero sempre), mas estou a ficar cada vez mais pacificado com a quantidade de desenhos que produzo nas férias. Férias são férias e há que aproveitar tudo sem preocupações.

Este cruzamento ficava mesmo por baixo do terminal 21 da famosa rua Baan Sukhumvit. Logo no primeiro dia, ao passar aqui, fiquei com o enquadramento de baixo de olho para desenhar. Os dias foram passando e, qual belo português, à última da hora, bem na véspera de ir para o aeroporto, enquanto o Matias dormia no carrinho, lancei-me ao desenho. Rápido, porque não havia muito tempo mas, sobretudo, porque o Matias podia acordar. O caos e a poluição de Banguecoque era o que queria guardar. O caos não resultou muito bem, porque desenhei os carros parados no semáforo. A poluição, essa, penso que o lápis de grafite consegue dar uma ideia...

sexta-feira, novembro 06, 2015

Yang-Deaw Restaurant


Este é o meu penúltimo desenho da Tailândia. À saída da antiga capital (Ayutthaya) e de regresso a Banguecoque parámos para almoçar no restaurante Yang-Deaw. Passo a transcrever do meu caderno:

Aqui, numa espécie de cabanas junto a um rio com pescadores foi onde, provavelmente, comemos melhor. Comida tailandesa do mais tradicional que há. Um arroz branco bem dividido por todos, a especialidade que era o peixe: biscoitos, bolinhos fritos, crispy fish que se comia como batatas fritas, lagosta maravilhosa, peixe assado, enguias e, claro, muitos legumes. Estava tudo maravilhoso e só faltou o tempo para terminar o desenho...
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quinta-feira, novembro 05, 2015

Phra Thinang Royal Residence


Isto acontece-me com frequência: perder-me nos detalhes e acreditar que tenho tempo para encher uma dupla página com eles. Normalmente fica tudo inacabado...

A residência real chamada Phra Thinang fica num recinto monstruoso cheio casas maravilhosas, recantos e detalhes para desenhar. A Tailândia é um mundo sem fim...

sábado, outubro 31, 2015

Wat Chaiwatthanaram


Este foi o último templo que desenhei em Banguecoque. É um dos mais visitados da antiga capital da Tailândia (Ayutthaya).
O Pramote e a Shari ficaram a desenhar de longe, mas eu queria entrar e ver tudo de perto. Como sou um apaixonado pela história da humanidade, não conseguia deixar de ficar embasbacado com a construção a apontar para cima, os vestígios das esculturas, as marcas de uso...
... tudo me remetia para as pessoas que tinham usado este local e para nós que agora o visitamos e lhe damos um uso fugaz, efémero, com guias turísticos de bandeirinha no ar...

Sentei-me e comecei por uma perna de pedra que era o que restava de uma escultura à minha esquerda. A linha seguiu ligada às outras formas e, quando me ia dedicar à aguarela, descobri que o meu pincel com reservatório de água estava entupido. Sete anos com o mesmo pincel e foi logo entupir na Tailândia??
Tirei o outro pincel de aguarela, o velhinho que usei na faculdade (e que anda sempre comigo embora já o use muito pouco) e lá coloquei a cor. Os turistas passavam por mim aos magotes (muitos franceses) e todos ficavam pasmados por alguém estar ali a desenhar. Deslumbrados com o desenho (enfim...) só arredavam pé quando o guia-de-bandeira-na-mão os chamava....

Saí a correr à procura da Ketta e do Matias. Era a minha vez de ficar com ele para a Ketta conseguir desenhar. Novos tempos, novas logísticas, novos acordos, mas o mesmo entusiasmo e encanto pelas viagens!

quarta-feira, outubro 28, 2015

Drinking water + people


Fascinam-me as pessoas que desenham de modo muito diferente do meu. Fico logo com vontade de experimentar coisas novas! A Marina Grechanik é uma das pessoas que mais me inspira por ter um trabalho absolutamente único. A liberdade com que desenha fascina-me e vê-la a trabalhar ainda me entusiasma mais. Enquanto desenhava a pessoa do lado direito pensava numa frase dela em Lisboa: "o importante é captar a ação do que a pessoa está a fazer e não como se ela estivesse a posar".

Incrivelmente difícil, mas é o que faz toda a diferença!

segunda-feira, outubro 26, 2015

Artigo: santuário de Fátima






Em julho de 2015 fui convidado a ir desenhar o santuário de Fátima. Estive lá 3 dias: sexta feira, sábado e domingo.
Nunca tinha vivido o santuário com tanta intensidade como naqueles três dias. Foi muito, mas mesmo muito intenso e interessante.

O resultado saiu agora no n.º4 da revista cultural do santuário chamada Fátima XXI. São 5 páginas com os desenhos e textos que escrevi.

Sem dúvida, um dos desafios mais interessantes que me foram colocados nos últimos anos!

segunda-feira, outubro 19, 2015

Around the world in 80 pages


Nos últimos meses estive a fazer desenhos para este concurso da Navigator.
Como penso que qualquer um que segue este blogue terá interesse em concorrer, não podia deixar de colocar aqui o link.

Foram muitos desenhos, muitos mesmo, mas contei com a ajuda da Paula Xavier Fernandes. 
Depois deste, já muitos outros projectos apareceram. Isto é como as cerejas, quando se começa e se gosta, nunca mais se pára! 

terça-feira, outubro 13, 2015

Bangkok underground


Em Banguecoque era imperativo deslocarmo-nos de metro. O trânsito é caótico e ir por baixo de terra é mesmo a melhor opção. 
Com o Matias, no início procurávamos sempre o elevador, mas a logística era tão difícil que começámos a optar por ir sempre pelas escadas rolantes com o carrinho apesar dos sinais a dizer o contrário...
Dentro do metro nem sempre havia lugar sentado, mas volta e meia lá acontecia. Esta dupla página acabou por ser um conjunto de vários dias e várias tentativas para desenhar o Matias, além de experimentar canetas. 
Ficou assim, mais uma página de laboratório que podia ter ficado ainda mais cheia se as viagens de metro não fossem tão curtas...

quinta-feira, outubro 08, 2015

Bangkok - Watpho temple


Enquanto desenhava no templo Watpho, apareceram duas pessoas que se sentaram ao pé de mim a ver-me desenhar. Continuei sem dar importância, mas elas aproximavam-se cada vez mais do meu ombro e a cochichar...
... olhei para elas e sorri. :)
Meteram logo conversa e logo percebi que eram mãe e filha, que a rapariga gostava muito de desenhar, mas que era muito perfeccionista e que demorava uma eternidade a terminar os desenhos, pelo que a mãe estava a dizer-lhe para ela ver como é possível desenhar mais rápido o que se vê. 

- Where are you from? 
- Canada, and you?
- Portugal.
- Portugal? Os meus pais são portugueses-foram trabalhar para o Canadá-vamos todos os anos a Ponte-de-Lima-gosto muito das minhas raízes-tão bom encontrar alguém português aqui-o que está aqui a fazer?-Não acredito que encontrei um português em Banguecoque-nós estivemos antes no Cambodja e a minha filha não desenhou nada-não pode dar-lhe umas dicas?-Veja aqui estas fotografias dos desenhos dela-não é boa a desenhar? (e por aí adiante quase sem perder o fôlego...)

Estamos mesmo espalhados pelo mundo inteiro!
:)

segunda-feira, outubro 05, 2015

Bangkok - temple of Don


Depois de uma manhã passada num dos maiores templos de Banguecoque (Watpho), viemos almoçar numa esquina um pouco duvidosa, mas depois de entrar, com uma vista para o rio que me fez lembrar, por momentos, Veneza...
Ao fundo, está em construção o templo de Don, mas o meu desenho não lhe faz justiça. Esta vista para este rio (ou será um canal?) ainda não me conseguiu realizar. Tenho de praticar mais estes deques meio flutuantes para conseguir definir melhor os planos. 
Ali do lado esquerdo está uma escultura de pedra que está à entrada do templo Watpho. Parece que são chinesas e os tailandeses não lhes dão assim tanta importância...
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domingo, outubro 04, 2015

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O título deste post bem que podia ser a tradução do nome do rapaz do desenho, mas já lá vou...

Hoje é dia de eleições. 
Fui votar depois de almoço e nunca me tinha apercebido que há quem vote sem saber em quem vai votar. Há até quem se engane no momento e vote no partido errado sem saber. Ignorância, falta de informação ou interesse na política. Realmente, alguma coisa tem de mudar na nossa sociedade...

Agora sobre o desenho: acontece-me cada vez mais isto. Penso que vou desenhar uma coisa e, quando dou por mim, estou a encher a página de outros motivos, pessoas, objectos...
Neste dia fomos visitar uma igreja portuguesa (parece que é a única em Banguecoque) e tivemos de entrar pelo pátio de uma escola que tinha uma vista deslumbrante para o rio. "É mesmo aqui", pensei eu. Assim que comecei, tocou para o intervalo e o pátio encheu-se de estudantes e escuteiros. Rapidamente fiquei com algumas crianças à minha volta e comecei a meter conversa. Este rapaz era o que falava melhor inglês e queria mesmo falar comigo. Enquanto falava com ele e desenhava a outra margem do rio dei por mim a pensar que o meu foco de interesse estava a mudar, o rapaz tinha de entrar no desenho...
Mais uma lição que o desenho me dá: nunca controlamos completamente o processo (muito menos o resultado final). O ponto de partida, por mais desconhecido que seja, leva-nos sempre para territórios ainda mais incógnitos...

Não sei traduzir o nome do rapaz (que ele escreveu no caderno), mas há tantas outras coisas que não sei traduzir e penso que sei...
... um pouco como as eleições e a nossa política. Pensamos que estamos bem informados, mas a única coisa que controlamos mesmo é a cruz que metemos no nosso boletim de voto. Tudo o resto é um mistério muito grande...