quinta-feira, abril 28, 2016

O bosque de La Tourette


Último desenho de La Tourette. Mais um em folha solta. Mais um para oferecer...
Todos os anos fazemos o amigo secreto. Oferecemos e recebemos um desenho de alguém do grupo. Este ano, desafiámos o 12.º ano a preparar a dinâmica do amigo secreto. Entregaram-nos umas folhas que, na parte de trás, tinham duas cores, sendo essas as únicas que podíamos depois usar para fazer o desenho. A mim calhou-me o preto e o amarelo.

Guardo sempre com muito cuidado estes desenhos que recebo. Tenho a impressão que alguns destes meus alunos vão ser alguém importante um dia...

Quando estava no meio do bosque de La Tourette, à procura do meu habitáculo, dei-me conta que seria ali o local perfeito para fazer um desenho inesperado para oferecer. 
Calhou-me como amiga a Rita Barata, uma aluna que escolheu Humanidades no 10.º ano, mas que mudou para Artes no início do 2º período. E ainda bem que mudou. Movimenta-se em Artes como peixe na água. Comunica o seu trabalho como ninguém. Apaixona-se por tudo o que lhe é pedido. Procura sempre fazer mais e ir muito mais longe do que os desafios que lhe são colocados.
São alunos como ela que me obrigam a ser melhor professor. Obrigam porque senão não estou à altura...

Fiz-lhe este desenho de propósito. Escrevi na parte de trás que é um desenho inesperado porque a Arte é assim mesmo: misteriosa. 
Queria que ela tivesse um desenho meu que fosse raro, pouco evidente, fora do habitual. Porque é isso que ela é: rara!

5 comentários:

Henrique Vogado disse...

Um texto apaixonante do que significa ensinar e receber muito dos alunos. Gosto muito. Abraço.

teresa ruivo disse...

Que bonito Mário!

Mário Linhares disse...

:)

Ana Simoes disse...

Que desenho lindo ! Tão longe do teu habitual e que bom, por isso também (não que o teu habitual seja mau, claro).
E essa ideia de trocarem desenhos é fantástica ! Adoro !! Que tal implementar em outras paragens ?

L.Frasco disse...

Grande ideia essa do amigo secreto. E que grande prenda arranjaste!

Fantástico o que consegues construir com os teus alunos. Aos poucos dá para perceber que muito fica neles do tu lhes dás.