segunda-feira, abril 18, 2016

La Tourette - dia 2




No segundo dia levantei-me cedo: 7h00.
Noite tranquila porque os alunos rapazes dormiram sem barulho ou confusões. Pedimos-lhes que nos dessem os telemóveis para não ficarem ligados ao resto do mundo durante a noite e só um é que não acedeu. A proposta era difícil, mas valiosa: quantas vezes é que podemos viver a 100% esta experiência?

Nessa manhã fui às laudes.
É difícil descrever os sentimentos de estar numa capela sobreelevada na paisagem, com uma parede envidraçada do chão ao tecto e uma vista deslumbrante.
Entretanto, aos poucos, vão chegando os monges dominicanos. Às 8h00 começam as laudes todas cantadas...

É inspiradora esta forma de começar o dia, agradecendo tudo o que nos rodeia, toda a vida que temos e que não pedimos, apenas nos foi dada gratuitamente para podermos fazer dela maravilhas.

sábado, abril 16, 2016

La Tourette, by Corbusier


Tudo começa com a vontade de dar aos alunos de Artes Visuais das Doroteias a experiência artística mais completa possível.
Desde há muitos anos que saímos todos juntos para desenhar e cultivar o espírito artístico durante 4 dias numa qualquer cidade longe de Lisboa. Este ano foi em La Tourette, com "escala" em Lyon.


Aterrado o avião, esperava-nos um percurso de 35 minutos de autocarro por estrada boa.
A experiência da chegada ao convento é única. Vivem lá os irmãos dominicanos em regime de simplicidade. Fomos recebidos pelo Fr. Jean François que nos explicou as regras dentro do convento.
Feita a acomodação, reunimos numa sala para fazermos o exercício de apresentação preparado pela turma do 12.º ano. Fiquei com a Madalena...


A Ana Souza, arquitecta e estagiária nas Doroteias, guiou-nos pelo edifício chamando a atenção para várias particularidades. Eu desenhava o mais que podia, tirava apontamentos, queria "agarrar" aquele edifício o melhor que conseguisse.


Este primeiro dia não terminou sem uma ida à capela, local majestoso com uma escala gigante. 
Depois, antes de dormir, pegámos na leitura do cego que queria ver e desenhámos de acordo com a descrição de um colega. Olhávamos para o papel, mas era como se estivéssemos cegos, tal era a informação relatada que nos faltava.

Foi este o meu primeiro dia em La Tourette: cheio, intenso, talvez um pouco caótico até.

sábado, março 19, 2016

East-Timor meetings


A ideia mais antiga que tenho dos missionários é a do filme Missão que vi no meu 11.º ano numa aula de Português da António Arroio.

Ao fim de tantos anos, dei por mim em Timor Leste a fazer o registo desenhado das reuniões de dois missionários da Consolata (meus grandes amigos) com vários missionários em Timor, averiguando a possibilidade de irem para lá trabalhar.

Foi um privilégio acompanhá-los. Senti que estava a fazer história com estes desenhos. 
Tanto tempo depois, aqui estão eles a vir à tona...

O P. João Felgueiras é jesuíta e trabalha há mais de 40 anos em Timor. Chegou lá antes da invasão da Indonésia, manteve-se durante toda a instabilidade e ocupação sanguinária, sobreviveu quase por milagre ao massacre depois do referendo e por lá continua agora, já com 90 anos, ainda a construir escolas para que mais crianças possam estudar. Impressionante!

quarta-feira, fevereiro 24, 2016

Bye, bye New York City



Enquanto não vêm os desenhos de Nova Iorque, aqui fica o vídeo feito do avião, ao descolar da Big Apple.

sexta-feira, fevereiro 12, 2016

-6ºC



Hoje, mesmo perto da Brooklyn Bridge, estavam seis graus negativos. Tirei as luvas e fiz esta selfie, mas não deu para mais. As mãos começaram mesmo a congelar. 
Dali, eu e o Mark Leibowitz, apanhámos o ferry para a outra margem e fomos desenhar dentro de um restaurante com duas estrelas Michelin!! Mas essa história fica para um próximo post...
;)

sábado, fevereiro 06, 2016

New York City


Cheguei ontem à noite a Nova Iorque, a cidade que é o mundo inteiro.
Neve, muita neve e frio, mas o encanto e deslumbramento de uma criança agitavam-se cá dentro perante a esmagadora cidade.


Estou aqui para a reunião da direção dos Urban Sketchers. Há que olhar do alto e tentar ver para onde pode ir este grupo gigante criado pelo Gabi Campanario. Assim que cheguei, ele enviou-me uma mensagem pelo whatsapp: "Welcome back to America! New York City is very different than the rest of the country. Enjoy it. It's a crazy place created by people who dreamed big, just like us! :)"

É uma honra estar aqui a pensar grande ao lado de pessoas tão generosas e fabulosas!

segunda-feira, fevereiro 01, 2016

Mercado de Taibessi


Desenhar acompanhado é, por vezes, um drama!

Entrámos todos no mercado de caderno na mão e as primas da Ketta perguntavam insistentemente:
"O que vamos desenhar? E como?"
Se estivesse sozinho sei o que faria, mas como gosto sempre de desenhar o que peço aos outros que desenhem, acabámos a olhar atentamente para os vários produtos das bancadas...

Sozinho ia:
- meter conversa com os vendedores e desenhá-los
- afastar-me e desenhar o mercado de longe

É assim a vida. Nem sempre temos o que desejamos...
Mas foi bom ter ido lá com as primas da Ketta. Comprámos bananas, tangerinas e mangas ao preço normal, coisa impossível se tivesse ido sozinho! :)

sexta-feira, janeiro 29, 2016

Cemitério de St.ª Cruz


Este jovem chamado Sebastião Gomes foi também assassinado pelos indonésios. Não no famoso massacre de '91, mas antes. Este cemitério está lotado. Não é possível passar sem pisar algumas campas... mas também está lotado de significado da luta pela libertação de Timor-Leste...
Hoje a madrinha da Ketta contou-nos o que aconteceu e histórias de pessoas que sobreviveram como que por milagre. É duro de ouvir e o coração começa aos pulos...
21.08.2015



Não sei muito bem como falar deste massacre. Em '91 eu tinha 11 anos, mas lembro-me bem destas notícias e de tudo o que veio a seguir com Portugal inteiro a erguer-se e a fazer-se ouvir.

Estar ali, naquele cemitério e ouvir histórias da boca de quem lá esteve e sobreviveu é de estremecer as entranhas. Saber que todas as cassetes de vídeo estavam a ser confiscadas para que o mundo não soubesse o que se passava e que o jornalista australiano Max Stahl as escondeu e depois as enviou por um jesuíta para chegarem à Europa também é impressionante.

Desenhar a campa do Sebastião Gomes, o jovem que ia ser visitado pela multidão de timorenses depois de uma missa de domingo e que deu origem ao massacre foi uma experiência de silêncio ensurdecedor...

Contudo, penso que o que mais me impressiona é a forma adulta e madura como hoje os timorenses se relacionam com a Indonésia. Que capacidade esmagadora de se sobre-elevar e marcar personalidade...

sexta-feira, janeiro 22, 2016

Díli


Díli vista da estrada que segue para Maubisse. 
O aglomerado de telhados de zinco confunde-se com a vegetação e tudo parece ficar misturado e pouco perceptível...
Ataúro, ao fundo, parece, por momentos, maior do que as outras ilhas indonésias que nos rodeiam. Do lado esquerdo, o primeiro edifício alto começa a erguer-se. É o primeiro sinal de uma capital a crescer e de um país que está a mudar a uma velocidade estonteante...

20 de agosto de 2015

sábado, janeiro 16, 2016

Mariana Mendonça


Mariana Mendonça?
Que nome tão português ali do outro lado do planeta. Não só do outro lado, mas bem no interior de Timor, lá para o interior das montanhas...

Hoje em dia os casais timorenses não gostam de colocar nomes portugueses aos filhos. "Fica mal" dizem...
O filho de um dos primos da Ketta chama-se Liusembril...

- Liusembril? - Rimos e perguntámos nós. 
- Sim, não queremos um nome que já exista. Ele tem de ter um nome único, nunca antes visto."
- O que significa?
- "Liu" vem de Julho, mês de nascimento da mãe. "Sem" vem de setembro, mês de nascimento do irmão. "Bril" vem de abril, mês de nascimento do pai.
- Liusembril? - Voltámos a rir com ar de espanto...
- Nome português é que não! 

Vai assim a vida timorense...
E é assim também que, aos poucos, a cultura se vai mostrando viva, híbrida e já com menos influência dos portugueses...

[outra história deste desenho aqui]