sexta-feira, janeiro 22, 2016

Díli


Díli vista da estrada que segue para Maubisse. 
O aglomerado de telhados de zinco confunde-se com a vegetação e tudo parece ficar misturado e pouco perceptível...
Ataúro, ao fundo, parece, por momentos, maior do que as outras ilhas indonésias que nos rodeiam. Do lado esquerdo, o primeiro edifício alto começa a erguer-se. É o primeiro sinal de uma capital a crescer e de um país que está a mudar a uma velocidade estonteante...

20 de agosto de 2015

sábado, janeiro 16, 2016

Mariana Mendonça


Mariana Mendonça?
Que nome tão português ali do outro lado do planeta. Não só do outro lado, mas bem no interior de Timor, lá para o interior das montanhas...

Hoje em dia os casais timorenses não gostam de colocar nomes portugueses aos filhos. "Fica mal" dizem...
O filho de um dos primos da Ketta chama-se Liusembril...

- Liusembril? - Rimos e perguntámos nós. 
- Sim, não queremos um nome que já exista. Ele tem de ter um nome único, nunca antes visto."
- O que significa?
- "Liu" vem de Julho, mês de nascimento da mãe. "Sem" vem de setembro, mês de nascimento do irmão. "Bril" vem de abril, mês de nascimento do pai.
- Liusembril? - Voltámos a rir com ar de espanto...
- Nome português é que não! 

Vai assim a vida timorense...
E é assim também que, aos poucos, a cultura se vai mostrando viva, híbrida e já com menos influência dos portugueses...

[outra história deste desenho aqui]

terça-feira, janeiro 12, 2016

Mazi em Maubisse


Primeiro desenhei a margem esquerda da rua numa tentativa de guardar a loja "Bensa ao Ama" no meu caderno. 

Depois desenhei a Mazi Costa no lado direito da página. Uma das primas mais novas da Ketta que está no 11.º ano e gostava de vir estudar para Portugal. Trabalhadora incansável, estuda Ciências e Tecnologias, os irmãos estão todos a estudar na Indonésia, mas ela gostava mesmo era de vir para Lisboa...

Não contente com o resultado (o que raio me deu para colocar um olho fechado e outro aberto!?!?), decidi pedir-lhe para repetir o desenho. Sem escrúpulos, foi mesmo ali por cima das casas. Quando me irrito com os desenhos vai tudo para cima de todas as coisas...

Agora que olho para esta dupla página, vem-me à memória a manhã tranquila e solarenga que estava. O Matias de colo em colo a encantar toda a gente. Os troncos de madeira onde nos sentámos a apanhar Sol. O vendedor de cartões da Timor Telecom a tentar ganhar a vida. Um senhor velhote que passou pela rua vezes sem conta para nos ir falando repetidamente. As prateleiras quase vazias da "Bensa ao Ama". As memórias do tio Tonito. A paisagem que permanecia igual desde há seis anos atrás e, de repente, tudo passou a fazer mais sentido...

quinta-feira, janeiro 07, 2016

Maubisse

Às vezes, só repetindo o mesmo desenho passado algum tempo é que consigo dar-me conta de como estou diferente, como desenho diferente, como vejo diferente...

Maubisse, Timor-Leste, 2015

Maubisse, Timor-Leste, 2009



História completa dos dois desenhos aqui.

quarta-feira, janeiro 06, 2016

Retiro de diários gráficos | 2016



O próximo retiro de diários gráficos, que acontece sempre na altura da Páscoa, já tem lugar confirmado: Açores, ilha de S. Miguel.

Este ano o anúncio vem mais tarde, mas ainda vamos a tempo de boas condições de voo.
Uma das principais novidades está na data do primeiro retiro: o P. Nuno Branco, jesuíta, está comigo na organização e vai lá estar connosco a tempo inteiro durante a semana santa. Imperdível, diria eu...

Inscrições e mais informações: linhares.mr@gmail.com

terça-feira, dezembro 29, 2015

crianças e o inacabado


Esta era uma página para ir sendo construída aos poucos. 
Acabou por ficar inacabada, com um espaço em branco que, agora olhando, apetece colocar lá um texto...

Está 2015 a acabar e fico com a sensação de que muitos projectos meus ficaram também inacabados...
Olho para trás e gostava de ter feito mais, esforçado mais, focado mais, intensificado mais, amado mais, agradecido mais...

Vem aí 2016 e é mesmo tempo de balanço para que o "mais" se possa concretizar!

segunda-feira, dezembro 28, 2015

Porto de Timor


No dia 14 de agosto escrevi assim no meu diário:

Não me lembrava que a zona junto ao mar era muito ventosa, pelo menos em agosto, dizem os timorenses. Desenhar a vista panorâmica de Díli não cabe apenas numa página, daí estas três vistas em continuação sempre na mesma, umas por cima das outras. Há exercícios que resultam melhor na teoria do que na prática. Este talvez não resulte mal, mas estava a ficar frio e o vento não deixava mesmo trabalhar em condições. Coloquei as cores à pressa e o resultado final não ficou nada de especial...


Agora que montei as diferentes vistas na sequência certa, de repente, parece que viajei mesmo até ao Porto de Díli. A visão panorâmica era mesmo assim alargada. Do lado esquerdo a ilha de Ataúro e depois uma imensidão de mar a contornar o lado Leste da ilha de Timor.

Há exercícios que funcionam na teoria e só mesmo quando o processo fica concluído. 
Estive mesmo para não publicar este desenho por não encontrar nele nenhum interesse, mas agora que as vistas ficaram acertadas, fico contente por ter um desenho que ganhou uma vida nova!

sábado, dezembro 26, 2015

Janaia e Jessenila


Timor, 13 de agosto de 2015

Dia de festa na paróquia de Balide, Díli, em homenagem ao primeiro pároco.
Depois da cerimónia com discursos longos e testemunhos vários, todo o pessoal se juntou no salão para o jantar típico timorense de festa e muita dança tradicional.
Enquanto esperava, a Janaia andava de roda de mim (um português com uma mulher timorense e um filho como o Matias despertam muito a atenção). Às tantas pedi-lhe para se sentar para a poder desenhar. Foi o frenesim total. Todos à volta a querer ver e um mar de crianças a pedir para serem desenhadas...
Houve tempo para a Jessenila, mas não para mais! :)

quarta-feira, dezembro 23, 2015

Serigrafias | Print screens



Quando falei com a minha pessoa de confiança para fazermos as serigrafias e lhe disse que queria personalizar cada uma delas com aguarela, ele, grande expert no assunto, disse-me: "nunca vi isso a ser feito". Depois sorriu e continuámos a trabalhar...

Não percebi se foi um acto de loucura pura ou de ingenuidade para com a falta de noção do trabalho que me ia dar, mas a verdade é que gosto de levar para a frente as ideias que me entusiasmam, mesmo que isso implique ter o dobro ou o triplo do trabalho com elas.


Pormenor da serigrafia panorâmica desenhada a partir do Aqueduto de águas livres de Campolide.


Pormenor da serigrafia panorâmica desenhada a partir do miradouro de S. Pedro de Alcântara.


Pormenor da serigrafia do coche de D. Filipe II, que está no museu dos Coches.



No dia 27 de novembro de 2015, já depois da apresentação do livro Lisboa, o que o turista deve ver, de Fernando Pessoa e com cerca de 100 desenhos meus, uma amiga fez este vídeo onde se vê o interesse da ideia louca de aguarelar as serigrafias no dia da inauguração da exposição. Estavam mais de 300 pessoas e não foi possível fazer tudo no dia. Não tenho parado desde então...

Bom Natal!

terça-feira, dezembro 22, 2015

Timor, finalmente!


Após três semanas fora de Portugal, a viagem chega finalmente a Timor.
Esta senhora estava a construir os famosos tecidos timorenses chamados de Tais. Isto era algo que há muito tempo queria ver e desenhar. 
A oficina dela era uma parte da cozinha! É incrível como os espaços se reduzem e aumentam conforme a necessidade...

Tem de haver alguma ligação entre o que vi neste dia e o facto da Ketta fazer os cadernos em casa. É que, às tantas, já não sabemos se temos um atelier em casa ou se a nossa casa é no atelier...

Deve ser do sangue timorense! :)

domingo, dezembro 20, 2015

Jakarta


aqui tinha publicado este desenho de Jakarta, mas na altura não estava terminado e foi uma fotografia em vez de digitalização. Neste dia, depois de estarmos a desenhar no último piso do centro comercial Grand Indonesia, descemos e fomos jantar:


Não é fácil escolher um local para comer quando a oferta são 3 ou 4 enormes pisos cheios de restaurantes do mundo inteiro. Neste dia, optámos pelo Mama Malaka (não era caro nem barato).
Enquanto esperava pela comida, recordava as lições da Marina Grechanik sobre como desenhar a acção das pessoas e tentava colocar em prática. Não interessavam as proporções nem as cores, mas a acção!


Frustrado com o resultado de cima, pousei os lápis de cor e peguei na recém comprada caneta Hero. Esboços do Matias desastrosos conduziram-me para a Ketta que ficou ali a posar para mim. 
Nesta altura, já todos os empregados de mesa passavam de 30 em 30 segundos por trás de mim para ver como estavam a ficar os desenhos. Riam-me e colocavam-se lá ao fundo atrás do balcão a sorrir, provavelmente à espera de ficar na "fotografia"...
Ainda bem que, no desenho, quem manda somos nós!

terça-feira, dezembro 15, 2015

Alô Portugal


Fui ao programa Alô Portugal da Sic Internacional falar dos desenhos de Lisboa, do livro do Fernando Pessoa e das serigrafias personalizadas.

Gostei muito e acho que correu bem.

Grande edição esta do Centro Atlântico. Obrigado por me terem desafiado para este projecto tão difícil e de imensa responsabilidade.