domingo, novembro 12, 2017

Assis: Simplicidade em vídeo



Pois é, no desenho, tudo se resume a três coisas: ponto, linha e mancha.
E na vida, será que também existem três pilares onde assenta tudo? Uma vez encontrados, teremos a capacidade de resolver qualquer problema com a simplicidade de um desenho...

O meu outro post sobre este exercício aqui.

segunda-feira, novembro 06, 2017

O caderno como oficina de excelência

Registo privado de Margarida Baptista misturado com apontamentos da disciplina de Português, 2012.


É esta quarta feira, dia 8 de novembro, pelas 11h, na Faculdade de Belas-Artes que irei defender a minha tese de mestrado. Aqui está um parágrafo que pode ajudar a decidir se querem ir assistir à defesa:

Pretende-se mostrar como o caderno escolar, objeto ancião no registo da aprendizagem, pode ser utilizado de forma simples e única para todas as disciplinas no formato de caderno-oficina. A sua utilização aparentemente caótica no início, depois de organizada, promove a criatividade e interligação entre as diferentes áreas, mostrando como os saberes se complementam em lugar de se compartimentarem, como acontece na utilização do dossier.

Curiosos? 
Apareçam!

sábado, novembro 04, 2017

Assis: Oferta em vídeo



São Francisco, quando decidiu viver apenas do que lhe ofereciam, por vezes, também recebia algo de requinte.

O olhar da Patrícia é sempre de uma beleza ímpar.
O meu post sobre o tema aqui.

domingo, outubro 29, 2017

Assis: pobreza em vídeo



A pobreza que S. Francisco decidiu abraçar é demasiado impactante. 
Demasiado radical.
Demasiado louca.
Demasiado apaixonante.

Aqui o olhar em vídeo é da Patrícia Pedrosa.
Os meus desenhos deste tema estão aqui.

sábado, outubro 14, 2017

Assis: o esplendor em vídeo



Este olhar diferente sobre os retiros acrescenta sempre algo especial.
O tema era o esplendor.
Escrevi sobre ele aqui.

segunda-feira, outubro 09, 2017

Alfabeto Lisboeta: nos limites


Há uns tempos, um amigo dizia-me:
- Mas porque é que têm sempre de me colocar fora da zona de conforto? Não posso melhorar dentro dos meus limites?

Não respondi, mas fiquei a pensar no assunto, nos nossos limites e se faz sentido ultrapassá-los ou não.
Penso muito na maravilhosa cidade de Lisboa, nos seus percursos, pessoas históricas que já cá viveram e tantos turistas que agora nos visitam.
Terá de haver uma razão muito forte para sair dos limites de Lisboa e ir para outro local.

Pois bem, esses limites lisboetas são o mote para o próximo Alfabeto Lisboeta.
Vamos pisar a linha das fronteiras. Todas elas, as geográficas e as outras.

Curiosos?
Posso enviar o programa por e-mail a quem estiver interessado em inscrever-se:

quarta-feira, setembro 13, 2017

Florence: Piazza della Signoria


Último desenho de Florença, mas não foi a última página do caderno. A última coisa que fazemos nunca é o fim. Os Médici governaram Florença durante séculos, mas o legado ficou.

Há mistérios que teimam em permanecer. O brasão da família Médici é um deles. Há muitas teorias, mas as mais oficiais dizem que continua a ser um mistério por desvendar.

Estou a escrever as conclusões do meu mestrado, mas de certeza que isto não ficará por aqui. 
Já percebi que não conseguimos antecipar o alcance de tudo o que fazemos. Resta-nos dar o melhor possível, trabalhar para ficarmos orgulhosos no presente, ainda que, por vezes, orgulho seja a capacidade de assinalar os erros, o que ficou como não se queria, mas que só vemos tarde demais. 
Em vez de ocultar, revelar. 

No meu desenho, o Palácio Vecchio ficou estreito, pois foi...
Mas o polícia em primeiro plano ficou bem.
E as cores de Florença são mesmo estas.
E uma página com texto lembra-me que o caderno é um diário e não apenas um caderno com desenhos.

Quando terminar as conclusões do mestrado vou encontrar pequenas falhas nos outros capítulos, pois vou...
Quando receber as correções do orientador vou achar que vai ficar tudo mesmo bem.
Quando imprimir e entregar as cópias vou encontrar, de certeza, falhas que nos escaparam aos dois, é garantido.
Mas como a última coisa que fazemos nunca é o fim, ainda bem que encontramos falhas. Elas são o ponto de partida para o próximo projeto!

sábado, setembro 09, 2017

Florence: O rapto das Sabinas


No meu primeiro post sobre Florença, falei do Giambologna. 
Agora, quase a terminar os posts, volto a ele.

Na Loggia della Signoria, podemos perder um dia inteiro a desenhar. Aos olhos dos turistas, iria parecer um desperdício de tempo. Aos dos Médici, de certeza que a valorização de todo um investimento na Arte durante séculos.

Esta escultura de Giambologna é esmagadora. Tão esmagadora que fiquei muito desiludido com o meu desenho. Só agora, passados 5 meses é que olho para ele e não tenho vontade de o deitar fora...

Feita a partir de um bloco de mármore branco imperfeito, o maior alguma vez transportado para Florença, tal como tinha acontecido com o utilizado por Miguel Ângelo 80 anos antes para esculpir o David, Giambologna idealiza a primeira escultura para ser vista de todos os ângulos sem um ponto de vista dominante. A dinâmica é incrível, há um sentido em espiral desde o homem mais agachado, passando pelo que, em pé, agarra a mulher Sabina. Tudo isto com uma tamanha força que influenciou todo o movimento artístico seguinte: o Barroco.

Mas o que é o rapto das Sabinas?
É um episódio/lenda da história de Roma. Conta que a primeira geração de homens romanos conseguiu esposas através do rapto das filhas das tribos vizinhas: as Sabinas.

...

Há uns dias uma amiga perguntava-me, a propósito dos meus desenhos feitos no Porto, mais ou menos assim: "Como te sentes ao ver tantos desenhos de outras pessoas que parecem ter influência tua?"
Respondi-lhe: 
- A influência vem de Foz Côa. Eu sou apenas mais um a experimentar!

Quanto mais viajo, mais conta me dou que o rapto das Sabinas é constante. Olhamos para o lado e "raptamos" o que nos encanta porque acreditamos que seremos mais felizes assim. Ao fazê-lo em Desenho, na verdade nunca copiamos. A cópia nunca é aquele original, é outro original. Criamos portanto, as condições para que algo novo aconteça. 
Haja cabeça para ver isso...

segunda-feira, agosto 21, 2017

Florence: Galleria dell'Accademia




Há pouco a dizer sobre Michelangelo Buonarroti. 
Entrar na Galleria dell'Accademia e ver um conjunto de obras inacabadas, onde os corpos escultóricos estão a tentar libertar-se da rocha, de forma intencional por Miguel Ângelo, é um momento forte até se encontrar, ao fundo, o David. Ao olhá-lo nos olhos, só me lembro de uma frase do Roland Barthes, no livro A Câmara Clara, na análise a uma fotografia do irmão de Napoleão Bonaparte: 
- Vejo os olhos que viram o imperador.

E a mim apetece-me dizer: vejo um olhos de pedra que viram os de Miguel Ângelo. Aquele olhar que continua a dividir críticos de arte sobre se foi antes ou depois de atirar a pedra ao Golias.
É nesse corredor que estão três prisioneiros e um São Mateus, os tais que se tentam libertar da rocha.
A beleza desses corpos é ofuscada pelo David.
A beleza desses corpos não consegue competir com o David.
Por isso, os críticos de arte criaram a noção de sublime, o que está para além do belo e que o ofusca.

Estas quatro esculturas são incrivelmente belas, mas isso não chega quando se está ao lado do David.
Ao lado de outras, seriam elas em destaque. Ali, são apenas um entretém rápido até chegar onde o olhar nos guia. Há que encontrar o seu devido lugar, porque nada consegue brilhar perto de David.

Será assim também connosco?
Será por isso que o Neymar trocou o Barcelona pelo Paris Saint-Germain?

quarta-feira, agosto 16, 2017

Florence: street views

Hoje o Matias faz 3 anos.
Passou rápido, como diz o povo.
Mas cada rapidez passada teve o seu devido tempo.


Em Florença, é fácil encontrar ruas a emoldurar a cúpula do Brunelleschi, na Duomo. Ela está sempre ali à espreita, por entre o casario medieval. Nós encantamo-nos primeiro mas depois vamos dando as vistas como algo adquirido, sem novidade...
Será esta a principal a diferença entre celebrar a vida de uma pessoa e a de uma cidade. Nunca nada é adquirido!


Sentámo-nos os dois por entre o bosque, mesmo por baixo do fantástico miradouro da Piazzale Michelangelo. O Matias escolhia os lápis e eu desenhada o que se via. Conjugou-se o azul claro com o escuro, o verde escuro com o claro, e a mesma relação entre os castanhos.
Ao acompanhar o crescimento, nem sempre tudo é claro, seguimos muitas vezes o instinto, andamos às apalpadelas a descobrir o melhor caminho. Mas também não é tudo escuro, há evidências óbvias da personalidade, gostos, interesses.
Mas o que este desenho me faz lembrar é que as zonas cinzentas são uma chatice!


Na Via dei Servi, na segunda feira depois da Páscoa, já depois de almoçar, houve tempo para trazer de novo a cúpula para o caderno.
Do lado direito, este desenho ia sendo feito aos pouquinhos, enquanto esperava pelo autocarro. Por vezes tinha 2 minutos, noutras 20 segundos. Ficou assim, incompleto, à espera de lá voltar.

Penso que o sentimento que tenho quando estou à espera é semelhante ao acompanhamento do crescimento do Matias. 
Se ficar só à espera, é uma seca.
Se me envolver e dedicar, a espera não chega sequer a existir. 
Não há cinzentos. Só claros e escuros, dúvidas e certezas!

segunda-feira, agosto 14, 2017

Florence: Ponte Vecchio



Uma ponte é uma das obras mais geniais da humanidade. 
Perante um obstáculo difícil de ultrapassar, fazemos pontes. 
Não lutamos contra as correntes do rio. Nem sequer precisamos ensopar-nos. Passamos por cima!

Mas há quem não goste de fazer pontes. Prefere ir pelo caminho mais difícil e provar que sozinho tem mais força que a corrente do rio.

A ponte é característica de excelência do diplomata. 
Se há um rio a dividir-nos, um rio que leva os argumentos com a mesma força que leva a água, a ponte é o sinal de inteligência que encontra os melhores pontos comuns entre um lado e outro para nos entendermos.

Embora tudo isto seja evidente, a verdade é que quando olho para esta Ponte Vecchio em Florença e a vejo cheia de pequenas construções e casinhas de comércio, dou-me conta que ela tem ainda mais significado do que imaginava. Tem sobre ela aquilo que nos caracteriza de um lado e do outro: algo que construímos para nos abrigarmos. Esta ponte deixa assente que só podem existir pontes pelo que nos une e nunca pelo que divide.

Engraçado como o desenho também serve de ponte. Coloca-nos a falar com desconhecidos. Levanta a curiosidade de crianças e adultos. Estabelece um contacto inesperado e fácil onde parecia existir um oceano a separar-nos. O caderno como ponte poderia ser um bom tema de dissertação...