sexta-feira, agosto 14, 2015

Rigor e balbúrdia



Quando não há muitos recursos e temos de partilhar materiais, neste caso as tintas e um pincel, há que pensar num momento comunitário de utilização de materiais, mais ou menos lúdico, e outro individual, de maior concentração e rigor.
Os restos de tinta que sobraram de um exercício que a Ketta propôs (por sinal muito bom), serviram para um momento de risos e boa disposição a espalhar e salpicar tinta para cima das páginas do caderno. 
Depois fomos à procura de conchas. Eram precisas três. Uma desenhava-se no dobro do tamanho, outra em metade e a última à mesma escala.
No final, roubávamos as conchas mais bonitas dos outros para enchermos mais a página a próprio gosto. Balbúrdia de novo entre nós e muitas risotas!

No meu caso, o resultado final ficou assim.

domingo, agosto 09, 2015

Jakarta



Jakarta é uma cidade de grandes contrastes. Nós estamos mesmo numa zona bem cheia de movimento de rua, com vendedores de tudo e mais alguma coisa, multidões sempre a caminhar de um lado para o outro, água suja a correr à beira da estrada, motas (muitas), carros, tuk-tuks e muitas casas de construção duvidosa. Curiosamente, a residência onde estamos é bem boa. Limpa e com pessoas simpáticas. Mas o que impressiona mesmo é que, caminhando 10 minutos, entramos numa zona chiquérrima que parece outro país.

Os contrastes são altíssimos nesta cidade!

sexta-feira, agosto 07, 2015

Batiks desenhados








Porque o desenho também se aplica noutros suportes, hoje passei o dia a fazer o meu próprio Batik. Estive lá o dia todo e o tempo voou. Impressionante......

quinta-feira, julho 16, 2015

A outra margem


Depois de muito tempo no mesmo local, é bom retirarmo-nos para a "outra margem", um local diferente que nos ajude a ter uma perspectiva distanciada das nossas rotinas para que o conhecimento microscópico que vamos alimentando todos os dias alargue um pouco os horizontes e se torne macro...

Na próxima semana vou para longe, para o outro lado do planeta. Vamos à terra da Ketta e por lá ficaremos até setembro...

terça-feira, junho 23, 2015

Cézanne e o 70x7



O incontornável Paul Cézanne (1839-1906) procurava insaciavelmente a essência das coisas, por isso, pintava o mesmo assunto várias vezes até à exaustão. O tema era tão simples que quase se podia tornar aborrecido: naturezas mortas, mais especificamente pratos com fruta.

Cruzar esta vontade inesgotável de pintar o mesmo assunto com a resposta dada a Pedro (antes de ser santo e de ser o primeiro Papa) por aquele galileu, filho de um carpinteiro, que falava aramaico e que marcou a história da humanidade, era o grande desafio: 70x7...
Não vou contar agora aqui esta história, nem vou escrever sobre a generosidade de Pedro ao pensar que 7 vezes era já uma imensidão. Setenta vezes sete é que é o grande desafio! Não para fazer contas, mas para não pensar sequer nisso, para não nos caber no entendimento...

Neste exercício, desenhar insistentemente o mesmo assunto, levou-me a entrar e desenhar por dentro o museu do cinema de Turim, sair e desenhá-lo por fora, de vários ângulos, até que, noutro dia, o comecei a ver noutros lados, refletido, fragmentado, distorcido, diferente e, por isso mesmo, menos óbvio...

Acho que é assim mesmo: a primeira visão é mais simplista, tal como as primeiras abordagens do Cézanne, mas depois, com a persistência, temos um vislumbre da essência e começamos aí a sua verdadeira procura!

domingo, junho 07, 2015

Fora da caravana


No retiro de diários gráficos, em Turim, um dos exercícios foi deambular pela cidade, construir o percurso imprevisível que as massas/caravanas não consegue. Como é que o fizemos? Entrando na caravana e saindo assim que nos apercebêssemos que algo faltava, o mais importante. Voltando atrás, deambulando, caminhando, procurando e registando com a lógica inesperada dos dadaístas…


cartografia sonora: Miguel Cordeiro

artigo completo aqui.

sábado, junho 06, 2015

Retiro de diários gráficos | Casa Velha


Em outubro de 2014 reservámos logo na agenda o fim de semana de 3 a 5 de julho de 2015 para o próximo retiro de diários gráficos em Ourém, na Casa Velha da Margarida Alvim.

Esta semana, o P. Nuno Branco e eu reunimos para preparar as entranhas deste retiro que se queria ainda mais desafiante e profundo. Uma viagem de Coimbra a Lisboa e uma manhã inteira a trabalhar juntos foram suficientes para chegarmos ao fumo branco. O próximo retiro de diários gráficos será o primeiro verdadeiramente preparado desde a génese por nós os dois. Preparem-se, porque isto promete...

As inscrições são para: projectocasavelha@gmail.com


Para quem não sabe o que é o retiro de diários gráficos, este artigo na Pastoral da Cultura pode ajudar...

segunda-feira, maio 25, 2015

Arqueologia etnográfica


Cada missionário deve compor um diário desde o dia da sua partida e durante todo o tempo que passa na missão. Este diário deverá conter notícias sobre o seu estado de saúde, as suas impressões da viagem, os seus feitos apostólicos, o progresso da missão à qual foi destinado, os costumes locais, notícias da geografia, etnografia, história natural, etc., e deverá enviá-lo, pelo menos, a cada seis meses ao superior geral.
(Regulamentos Instituto Missionário da Consolata, 1901, p. 34)

E em 1902 partiram os primeiros quatro missionários em direção ao Quénia, enviados pelo fundador José Allamano.
Uma aventura que ainda hoje dura. Em 2013, tive a oportunidade de ler o diário da missão de Marandallah, na Costa do Marfim. Este ano, a assombrosa possibilidade de desenhar alguns dos milhares de objetos que os missionários foram trazendo das missões desde o início do séc. passado. Foi uma impressionante viagem na história, à procura da nossa etnografia pessoal.

Tudo isto no retiro de diários gráficos deste ano, em Turim. 
O próximo já está a ser sonhado...

quarta-feira, maio 06, 2015

o caderno


O caderno é assim mesmo: o local privilegiado para fazer isto tudo sem medo de errar...

sábado, maio 02, 2015

Simpósio em Singapura



Não sei explicar isto de uma maneira melhor:
Participar no maior evento internacional dos Urban Sketchers é semelhante a ter a coragem de limpar a caixa de aguarelas. As cores que já lá estavam misturadas, fruto de todas as experiências passadas, devem ser removidas para darmos lugar à novidade e ao inseguro. 
É sermos como uma esponja que deve absorver tudo ao pormenor. No final, quando a espremermos, logo se vê o que ficou e que passará, inevitavelmente, a ser prática e experiência quotidiana...

quarta-feira, abril 29, 2015

janelas


No outro dia perguntava aos meus alunos se podíamos falar de janelas de modo metafórico...
Uns disseram que sim, mas não conseguiram desenvolver o assunto...
Um deles disse que não. Janelas são janelas, nada mais...

terça-feira, abril 28, 2015

workshop


Escolhi esta página do meu caderno para servir de referência ao workshop que vou orientar no próximo dia 20 de maio, às 19h, em Entrecampos, a convite dos Sorrisos de Lisboa.
Por ser uma das mais experimentais que tenho, sem a preocupação de ter um desenho bonito e acabado, penso que é esse o princípio básico para se começar a usar livremente um caderno: sem preocupações!

| Workshop |
Levar um pouco de Lisboa todos os dias no diário gráfico

Local: Entrecampos (ponto de encontro: início do jardim do Campo Grande)
Data: 20 de maio, quarta feira, das 19h às 21h30
Custo: 15€

Inscrições: sorrisosdelisboa@gmail.com

+ info e descrição detalhada aqui.