sábado, agosto 27, 2016

American Museum of Natural History

Ao visitar o museu de História Natural de Nova Iorque cheguei a uma conclusão que é um chavão: é mesmo impossível ver tudo num dia! Queria ler tudo, fotografar tudo, desenhar tudo, perder tempo em tudo. É uma viagem impossível... restou-me a resignação de ter tempo para fazer mais alguns desenhos lá dentro.


Com tanta escolha possível, estas morsas estavam como que a apelar que as desenhasse. Pensei várias vezes em desistir deste projecto de desenhar apenas com a tinta da china e o pau de madeira (parecia que havia sítios e temas que pediam outras técnicas), mas mantive-me sempre fiel ao conceito da minha viagem. Sentei-me perto do vidro, não no local mais confortável, mas aquele que me parecia ter o melhor ângulo e lá foi disto. 

Todos sabemos como o desenho é como um íman que atrai atenções. Enquanto estive ali sentado, o que mais gostei, foi de ouvir tantas línguas diferentes a fazer comentários nas minhas costas, mostrando, inevitavelmente, as suas culturas. Uma mãe e filha portuguesas comentavam nas minhas costas:
- É isto que se vê aqui e que em Portugal não há: pessoas a desenhar nos museus!
- Hã! Hã... - respondia a filha adolescente com um ar desinteressado na conversa.
- Cidades como esta abrem-nos o horizonte, mostram-nos pessoas cultas que não encontramos lá. Pessoas a desenhar em museus! - insistia enquanto se afastava e o som da voz se ia ouvindo cada vez mais longe...

Os franceses e asiáticos são os que mais apreciam e elogiam o nosso trabalho. Metem conversa e fazem questão de dizer que gostam. Os da América Latina comentam, mas não metem conversa. Os americanos nem uma coisa nem outra...

quinta-feira, agosto 25, 2016

Titanosaur at American Museum of Natural History


No primeiro dia por minha conta, já depois das reuniões terem acabado, fui ao museu que tanto queria ir, o AMNH. A Brenda M. acompanhou-me pois também ia ficar mais uns dias em Nova Iorque. Entrámos, marcámos uma hora para almoçar e lá fui eu, perdido por entre salas gigantes que recriam ambientes naturais, no meio de desenhos científicos inacreditáveis e vestígios de animais quando dou por mim, entretanto, a entrar na zona dos dinossauros até me deparar com este espécime de dimensão inacreditável. O maior alguma vez encontrado, escavado no deserto da Patagónia, Argentina. Claro que tinha de desenhá-lo. Peguei no meu caderno grande e pensei que não seria um problema colocá-lo dentro da página. Estava bem enganado! Perdi-me nos detalhes e as patas dianteiras não couberam, assim como a cabeça (que também não cabia na sala da exposição!).

Tudo somado, agora que olho para o desenho, lembro-me sobretudo do prazer que foi estar ali sentado no chão a desenhar. Faltou-me colocar algumas pessoas para dar escala ao desenho, mas como não volto aos desenhos depois de os fazer, fica assim mesmo, para que a memória do momento se altere o mínimo possível, qual esqueleto subterrado durante milhares de anos sem ser tocado...

domingo, agosto 21, 2016

Picasso Sculptures at MoMA


Nunca tinha visto as esculturas do Picasso ao vivo e, estando elas no MoMA e eu em Nova Iorque, era impensável falhar esta visita. Fomos todos lá no dia em que terminava a exposição: eu, a Elizabeth, a Suma, a Brenda e o Mark. Marcámos uma hora e um ponto de encontro e seguiu cada um o seu caminho.

Tirei o caderno grande, peguei no pau de madeira e lá comecei a molhar no recipiente com tinta. Fui desenhando as que gostava mais, ocupando a página da esquerda para a direita. Quando estava a desenhar o gato, uma mulher segurança veio ter comigo e disse:
Mr., you can use that stuff inside to draw.
But it's dry ink. It won't mess anything. - expliquei eu virando o boião ao contrário a mostrar que a tinta não caía.
- Doesn't matter, they were looking at you through the surveillance camera. - apontou ela para para a câmera num canto da parede.

Vai ficar mesmo assim, inacabado, e com esta estória para contar.
Engraçado que o gato acabou por ser o desenho que gosto mais. Abençoada segurança que me "barrou"o desenho antes de o estragar!


sexta-feira, agosto 19, 2016

9/11 memorial view from winter garden atrium



Desenhar em Nova Iorque durante o mês de Fevereiro é mesmo uma aventura. Era sábado e o Mark Leibowitz tinha um encontro dos USk-NYC marcado para o Winter Garden, mesmo em frente ao memorial das torres gémeas. Suspendemos a nossa reunião para nos juntarmos a desenhar com eles. Continuei com a tinta da china e o pau de madeira, sentei-me em frente a um janelão de vidro e comecei por aqueles edifícios altos lá ao fundo.

Antes tinha passado pela North Pool e o silêncio que se sente é ensurdecedor. O projecto tem um grande dramatismo: são dois grande poços que nos puxam o olhar para baixo, como que à procura de tudo o que ruiu...

A Suma CM dizia-nos: 
- Ainda não consigo olhar. Eu estava a trabalhar aqui ao lado. Ainda está tudo muito presente. Vamos passar rapidamente...

Quando terminei o desenho senti-me a fazer honra a este local. Não por estar especialmente bem conseguido, mas por ter dedicado uma boa hora da minha vida a olhar para ele e a pensar na fragilidade da vida e em como temos de aproveitar para viver em plenitude...

quarta-feira, agosto 17, 2016

Oficina na Gulbenkian


No próximo dia 10 de setembro vou orientar uma oficina nos jardins da Gulbenkian que se chama: A matéria das coisas.

O tema central é Land Art. Como fazer? Com que inspiração? Como se regista a arte efémera?
Será precisa alguma ousadia, mas as respostas as estas perguntas promete mudar-nos o olhar sobre o que nos rodeia...

Inscrições e mais info aqui.

sexta-feira, julho 22, 2016

New York City: view from the hotel room


A adrenalina de estar em Nova Iorque era mais que muita! Tenho sempre a sensação que o meu inglês chega enferrujado aos Estados Unidos e fica sempre melhor na altura de voltar... 

Cheguei ao final da tarde, telefonei à Elizabeth Alley e fomos jantar juntos a um restaurante mexicano (ou seria espanhol?) que estava a rebentar de gente. Esperámos uma eternidade por uma mesa à entrada, naqueles corta vento. Falámos imenso ali mesmo... ao frio. 

No dia seguinte começava a nossa maratona de reuniões e não havia tempo a perder. Acordei cedo, abri as cortinas da janela do Double Tree by Hilton e comecei um projecto que fazia sentido na minha cabeça na altura: um português, com uma técnica asiática, a desenhar em Nova Iorque.

Tenho a sensação que estes desenhos ainda vão sair do caderno para outra coisa qualquer...

quarta-feira, julho 20, 2016

Nós e os cadernos


Este fim de semana vou estar em Esposende a convite do Tiago Cruz, para participar no evento Nós e os Cadernos. O encontro promete!

Eu e a Ketta vamos fazer uma comunicação intitulada: O caderno como instrumento de ensino
Iremos falar dos desenhos que fazemos só para ensinar alguma coisa. Aqueles desenhos que não faríamos sozinhos, só por nós. Aqueles desenhos que fazemos para mostrar a alguém, para explicar alguma coisa...

É exactamente esse o caso desta dupla página. Nunca faria estes retratos a lápis de grafite se fossem só para mim, mas, neste caso, queria explicar que a mina de grafite nos permite fazer diferentes intensidades e espessuras de linha. Que a linha mais intensa sugere sombra e a mais leve sugere luz.
Queria ainda mostrar que o fundo mais escuro ajuda no contraste da zona mais iluminada do rosto e, por isso, é que tem um lado mais intenso e outro mais claro.

Nada disto seria assim se desenhasse estas pessoas numa esplanada de café. Os desenhos estão no meu caderno, que é privado, mas são desenhos para mostrar, para ensinar, para partilhar, estando, portanto, no domínio da esfera pública.

Promete este fim de semana em Esposende. Tantas comunicações e tão boas. Apareçam!


terça-feira, julho 19, 2016

50 anos de aço sobre o Tejo

No passado sábado houve um encontro de diários gráficos organizado pelos USkP, em parceria com as Infraestruturas de Portugal, para desenhar a Ponte 25 de Abril. O motivo era simples: a 6 de agosto celebram-se 50 anos daquela gigantesca obra de engenharia americana sobre o nosso rio Tejo.




Tinha ficado com a ideia que se ia subir ao pilar Norte da ponte, mas afinal não havia autorização para isso. Ficámo-nos pelas bases de amarração que são uns blocos de uma beleza incrível. 
Em conversa com o Eng.º Pedro Abegão fiquei a saber que um dos engenheiros americanos que cá esteve em 1966 fez um diário. Está numa Universidade da Califórnia. Provavelmente tem desenhos e seria lindo recuperá-lo para o museu que vai nascer nesta zona no próximo ano. Vi o projecto. Vai ser formidável!


A escala é monumental, mas sentia-me a desenhar brinquedos para o Matias! :)


Da parte da tarde fomos para a margem Sul e ficámos espalhados pela pequena estrada que passa por baixo da amarração Sul. A vista era incrível e as toneladas de aço por cima de nós também...
Desviei-me um pouco para a direita, coloquei-me à sombra e fiz duas tentativas da vista da ponte. Nada contente com o resultado fui ter com o Mário Crispim e desenhei a mesma vista dele, mas queria apanhar a estrada...
O Eng.º José Costa Nunes está responsável pela obra do Museu (na margem Norte). Pedi-lhe para o desenhar e a páginas tantas:
- Então e não é possível ir desenhar num dos pilares da ponte? 
- Não é impossível... - e antes que acabasse de responder:
- Vocês vão lá muito frequentemente? - perguntei eu.
- Duas a três vezes por ano. Mas olhe, fale com o Nélson que depois tentamos arranjar isso.
- Ok, assim farei. - e lá continuei o desenho.



Na parte final, com tanta máquina linda para desenhar por ali, atirei-me a esta bomba de água de 1929. O Filipe Almeida estava lá dentro a desenhar uma motorizada e depois juntou-se a mim quando comecei a desenhar o edifício das IP. Estava tanto calor que disse ao Filipe:
- Este espaço lembra-me a África Colonial. Muito calor, muita vegetação, o edifício rasteiro... sinto-me em África...

segunda-feira, julho 18, 2016

Alto contraste


O Exame Nacional de Desenho A de 2016, na 1ª fase, tinha um exercício que pedia o uso da tinta da china em alto contraste. A maioria dos alunos misturou-lhe água (como tantas vezes se faz), para ganhar tons cinza intermédios e ajudar na volumetria, mas, como o enunciado pedia alto contraste, quem não utilizasse apenas o branco e preto seria classificado com zero pontos num dos três critérios de avaliação. Há que ler o enunciado com atenção.

Na semana passada vi o exame de uma aluna que ia pedir reapreciação. Era de outra escola. 
Neste exercício, ela também diluiu a tinta da china, pelo que foi penalizada, mas qual não foi o meu espanto ao constatar que nos outros dois critérios ela também tinha sido classificada com zero valores quando o desenho respeitava (até com bastante qualidade) tudo o que era pedido! Exame mal avaliado. Só neste exercício, facilmente subia 3 a 4 valores...

Não consigo entender o que se passa com alguns professores examinadores. Só vejo uma solução: se temos de avaliar desenhos com tinta da china, então temos de desenhar com tinta da china, passar pelas dificuldades, errar, acertar, insistir, penar. Só assim conseguiremos ser justos a classificar.

quarta-feira, julho 13, 2016

E o futuro?


Afinal não vou partilhar todos os desenhos que estão no hotel do Funchal do Cristiano Ronaldo. Não dá...

Partilho o último, aquele que está virado para o futuro! 
Como se termina uma sequência de desenhos em torno da vida do CR7? O céu é o limite, claro, mas e fazer isto de forma a mostrar um futuro audacioso, risonho, cheio de sucesso? Optei por ele a abraçar a vida de empresário em contexto citadino, de grande escala, cheio de projectos a roçar o céu... que é o limite dos gigantes!

segunda-feira, julho 11, 2016

Portugal campeão europeu


Este desenho também está no hotel do Cristiano Ronaldo no Funchal. Assinala a atribuição da Ordem do Infante D. Henrique (que já recebeu duas vezes).
Hoje, quando a seleção campeã europeia chegar a Lisboa, todos os jogadores vão receber a Ordem de Comendador pelas mãos do presidente da República.

Que loucura! Portugal é campeão europeu de futebol!!!

domingo, julho 10, 2016

Aqueduto de Águas Livres


Desenho de 2016, galho e tinta da china, no workshop do Kiah Kiean.


Desenho de 2015, caneta Uni Pin 0.1, para o livro de Fernando Pessoa: Lisboa, o que o turista deve ver, edição Centro Atlântico.