terça-feira, setembro 13, 2016

The view - restaurant & lounge

Não gosto especialmente destes dois desenhos, mas o local é tão especial que não podia deixar de os publicar.


O Mark L. levou-me ao restaurante The View, mesmo ao lado da famosa Times Square. Lá de cima tem-se uma vista panorâmica absolutamente incrível sobre Nova Iorque. Sentámo-nos, pedimos uma cerveja e desenhámo-nos um ao outro. Senti novamente falta da cor, mas mantive-me fiel ao projecto a preto e branco...


Enquanto conversávamos, o piso do restaurante ia rodando até fazer os 360º sobre a cidade. Tudo parecia em marcha lenta, mesmo bem lenta, mas enquanto desenhava, tudo me parecia muito rápido, demasiado rápido mesmo...

Ficou esta dupla página mesclada de diferentes vistas de Nova Iorque. Este é, talvez, o desenho que gosto menos dos que fiz lá.

quarta-feira, setembro 07, 2016

NYC - St. Patrick's Cathedral


10 de fevereiro de 2016 foi uma quarta feira e viam-se muitas pessoas nas ruas de Nova Iorque com uma cruz negra na testa. Muitas mesmo...

Tinha combinado com o Mark Leibowitz desenharmos juntos nesse dia. Tendo em conta o frio que estava, marcámos encontro na St. Patrick's Cathedral, a catedral católica de Nova Iorque. 
Entrei e fiquei deslumbrado pela arquitectura que me lembrava as catedrais góticas europeias. Pensei:
Isto só pode ser Gótico!!
Hum... mas catedrais da Idade Média nos Estados Unidos não fazem sentido... 
Só pode ser então Neo-Gótica...

E, rapidamente, a minha mente começou a viajar pelos tempos das minhas aulas de História da Arte do secundário em que eu e os meus colegas da António Arroio, depois da matéria dada em aula, tentávamos adivinhar os estilos arquitectónicos das igrejas de Lisboa. Senti-me novamente um estudante a tentar juntar as peças e estabelecer relações...

Sentei-me. 
Fiquei uns bons 10 a 15 minutos só a olhar. 
Haviam filas de pessoas que passavam nos corredores entre bancos em direção a um sacerdote que lhes impunha uma cruz de cinzas.
Hoje é quarta feira de cinzas, claro! - pensei - Começa a Quaresma...

Entretanto chegou o Mark:
- Mário! You arrived earlier. - disse ele.
- Yes, too much cold outside. I had to enter! How are you?
- Good! Happy to be here sketching with you.
- Great. Thanks for coming and stay all day with me! - estava mesmo agradecido, pois ele iria mostrar-me Nova Iorque como eu nunca teria conseguido ver.
- Do you want to sketch here inside?
- Yes, I love this architecture...

E assim estivemos ali uns bons 50 a 60 minutos. Ele fez um desenho bem mais pequeno, mas esperou por mim pacientemente e foi colocando aguarela sobre aguarela, acrescentando pormenores, só para eu estar à vontade. 
Mais tarde, num café do último piso de um arranha céus, a nossa conversa ganhou densidade e profundidade. Falámos de tanta coisa... muito sobre os Urban Sketchers, mas também sobre a vida em Lisboa e em Nova Iorque, valores, o que nos leva a tomar decisões importantes, até que ele, do nada me perguntou:
- Mário, are you a catholic person?
- Yes, - e antes que conseguisse continuar...
- But, no aches today... - e apontou para a minha testa em branco. 

Sorri. E a partir dali a nossa conversa foi mesmo muito mais interessante! ;)

domingo, setembro 04, 2016

Guggenheim - NYC


Acordava constantemente cedo. Por volta das 6h já não tinha sono. Penso que a diferença horária de 5 horas demorou um pouco a ser vencida. Levantei-me, tomei banho, vesti-me, saí do hotel, parei para tomar o pequeno almoço (torradas, fruta, iogurte e café), fui para o metro na direção de Uptown até sair numa estação próxima do Guggenheim. Caminhei umas boas centenas de metros com as mãos geladas nos bolsos (mesmo com luvas) e um vento rasante que teimava bater na cara, mas cheguei lá cedo demais; por volta das 9h e o museu só abria às 10h. Estava um frio que se entranhava nos ossos, mas não ia ficar uma hora sem desenhar. Limpei um banco cheio de geada com um pequeno guardanapo de papel, sentei-me (e logo senti o frio a subir pela espinha), abri a mala, tirei o caderno, tirei também as luvas e pensei: é só durante uma hora...

Fiz aquele pequeno desenho que está na página esquerda e, quando já não aguentava mais o frio (sentia-me um boneco de neve a dirigir todo o seu calor para as mãos, deixando o resto do corpo esquecido), levantei-me, vi as horas (ainda faltavam 40 min.) e fui desenhar outro ponto de vista do edifício, mas em pé. Desenhei o que está do lado direito, com o caderno em cima de um caixote do lixo. Estava numa esquina e o vento estava cada vez mais forte. Passavam por mim alguns nova-iorquinos a passear os cães, ainda de roupão...
Vi, entretanto, que a loja do museu ia abrir. Estou salvo, pensei. Entrei, vi tudo o que eles têm para vender, e fui depois para o hall onde me perdi a desenhar aquele interior maravilhoso que o Frank Loyd Right tão bem conseguiu projectar.


Comprei o bilhete e decidi perder todo o tempo que fosse preciso ali dentro. Não me iria escapar nada. Ouvi a história do edifício, a polémica que se criou quando foi apresentado, vi a exposição permanente (absolutamente fabulosa) e as temporárias ao longo da espiral enquanto subia: instalações, vídeos, esculturas, pinturas... Andei para cima e para baixo. Quando pensava que me ia embora decidia voltar atrás e ir ver tudo de novo.
Sentei-me, depois, num canto discreto, entre espirais e comecei a desenhar de novo...

terça-feira, agosto 30, 2016

AMNH dinosaur entrance hall


Não é que goste especialmente deste desenho, mas como esta entrada é fenomenal, não podia deixar de o fazer. Esta é a zona por onde se sai. Sentei-me num banco, encostado a um canto e, sem saber quando é que a Brenda iria chegar, que poderia ser a qualquer momento, tentei guardar no meu caderno aquele cenário, aquela imagem do dinossauro seguro apenas nas patas traseiras a receber as pessoas e a despedir-se delas.

As crianças rodeavam-me. Umas olhavam de esguelha, outras metiam conversa. Uma família norueguesa ficou muito impressionada com o desenho (e eu ali a lutar para que ele não se afundasse cada vez mais e a mal dizer os paus e a tinta da china...), e os dois filhos comentavam entre eles qualquer coisa em norueguês. Perguntei-lhes:
- Do you like to sketch?
- Yes. - respondeu-me a rapariga. E continuou: I want to be an artist just like you!
- I'm not an artist, I just like to sketch. - disse eu envergonhado...
- To me you are! - E sorriu...

E, de repente, a minha memória viajou para todas as minhas recordações de infância relacionadas com pessoas que vi a desenhar na rua e como as admirava. Lembro-me bem de um senhor a pintar a ribeira de Barcarena, junto a uma ponte, e de eu passar lá a tarde toda com ele a vê-lo trabalhar. Não faço ideia de quem era. Podia ser um desconhecido como eu ou uma pessoa famosa.

Nem sempre temos noção de como o nosso trabalho (por mais miserável que fique), pode influenciar a vida das pessoas... 
Este dinossauro mal amanhado influenciou a da menina norueguesa, tenho a certeza.

sábado, agosto 27, 2016

American Museum of Natural History

Ao visitar o museu de História Natural de Nova Iorque cheguei a uma conclusão que é um chavão: é mesmo impossível ver tudo num dia! Queria ler tudo, fotografar tudo, desenhar tudo, perder tempo em tudo. É uma viagem impossível... restou-me a resignação de ter tempo para fazer mais alguns desenhos lá dentro.


Com tanta escolha possível, estas morsas estavam como que a apelar que as desenhasse. Pensei várias vezes em desistir deste projecto de desenhar apenas com a tinta da china e o pau de madeira (parecia que havia sítios e temas que pediam outras técnicas), mas mantive-me sempre fiel ao conceito da minha viagem. Sentei-me perto do vidro, não no local mais confortável, mas aquele que me parecia ter o melhor ângulo e lá foi disto. 

Todos sabemos como o desenho é como um íman que atrai atenções. Enquanto estive ali sentado, o que mais gostei, foi de ouvir tantas línguas diferentes a fazer comentários nas minhas costas, mostrando, inevitavelmente, as suas culturas. Uma mãe e filha portuguesas comentavam nas minhas costas:
- É isto que se vê aqui e que em Portugal não há: pessoas a desenhar nos museus!
- Hã! Hã... - respondia a filha adolescente com um ar desinteressado na conversa.
- Cidades como esta abrem-nos o horizonte, mostram-nos pessoas cultas que não encontramos lá. Pessoas a desenhar em museus! - insistia enquanto se afastava e o som da voz se ia ouvindo cada vez mais longe...

Os franceses e asiáticos são os que mais apreciam e elogiam o nosso trabalho. Metem conversa e fazem questão de dizer que gostam. Os da América Latina comentam, mas não metem conversa. Os americanos nem uma coisa nem outra...

quinta-feira, agosto 25, 2016

Titanosaur at American Museum of Natural History


No primeiro dia por minha conta, já depois das reuniões terem acabado, fui ao museu que tanto queria ir, o AMNH. A Brenda M. acompanhou-me pois também ia ficar mais uns dias em Nova Iorque. Entrámos, marcámos uma hora para almoçar e lá fui eu, perdido por entre salas gigantes que recriam ambientes naturais, no meio de desenhos científicos inacreditáveis e vestígios de animais quando dou por mim, entretanto, a entrar na zona dos dinossauros até me deparar com este espécime de dimensão inacreditável. O maior alguma vez encontrado, escavado no deserto da Patagónia, Argentina. Claro que tinha de desenhá-lo. Peguei no meu caderno grande e pensei que não seria um problema colocá-lo dentro da página. Estava bem enganado! Perdi-me nos detalhes e as patas dianteiras não couberam, assim como a cabeça (que também não cabia na sala da exposição!).

Tudo somado, agora que olho para o desenho, lembro-me sobretudo do prazer que foi estar ali sentado no chão a desenhar. Faltou-me colocar algumas pessoas para dar escala ao desenho, mas como não volto aos desenhos depois de os fazer, fica assim mesmo, para que a memória do momento se altere o mínimo possível, qual esqueleto subterrado durante milhares de anos sem ser tocado...

domingo, agosto 21, 2016

Picasso Sculptures at MoMA


Nunca tinha visto as esculturas do Picasso ao vivo e, estando elas no MoMA e eu em Nova Iorque, era impensável falhar esta visita. Fomos todos lá no dia em que terminava a exposição: eu, a Elizabeth, a Suma, a Brenda e o Mark. Marcámos uma hora e um ponto de encontro e seguiu cada um o seu caminho.

Tirei o caderno grande, peguei no pau de madeira e lá comecei a molhar no recipiente com tinta. Fui desenhando as que gostava mais, ocupando a página da esquerda para a direita. Quando estava a desenhar o gato, uma mulher segurança veio ter comigo e disse:
Mr., you can use that stuff inside to draw.
But it's dry ink. It won't mess anything. - expliquei eu virando o boião ao contrário a mostrar que a tinta não caía.
- Doesn't matter, they were looking at you through the surveillance camera. - apontou ela para para a câmera num canto da parede.

Vai ficar mesmo assim, inacabado, e com esta estória para contar.
Engraçado que o gato acabou por ser o desenho que gosto mais. Abençoada segurança que me "barrou"o desenho antes de o estragar!


sexta-feira, agosto 19, 2016

9/11 memorial view from winter garden atrium



Desenhar em Nova Iorque durante o mês de Fevereiro é mesmo uma aventura. Era sábado e o Mark Leibowitz tinha um encontro dos USk-NYC marcado para o Winter Garden, mesmo em frente ao memorial das torres gémeas. Suspendemos a nossa reunião para nos juntarmos a desenhar com eles. Continuei com a tinta da china e o pau de madeira, sentei-me em frente a um janelão de vidro e comecei por aqueles edifícios altos lá ao fundo.

Antes tinha passado pela North Pool e o silêncio que se sente é ensurdecedor. O projecto tem um grande dramatismo: são dois grande poços que nos puxam o olhar para baixo, como que à procura de tudo o que ruiu...

A Suma CM dizia-nos: 
- Ainda não consigo olhar. Eu estava a trabalhar aqui ao lado. Ainda está tudo muito presente. Vamos passar rapidamente...

Quando terminei o desenho senti-me a fazer honra a este local. Não por estar especialmente bem conseguido, mas por ter dedicado uma boa hora da minha vida a olhar para ele e a pensar na fragilidade da vida e em como temos de aproveitar para viver em plenitude...

quarta-feira, agosto 17, 2016

Oficina na Gulbenkian


No próximo dia 10 de setembro vou orientar uma oficina nos jardins da Gulbenkian que se chama: A matéria das coisas.

O tema central é Land Art. Como fazer? Com que inspiração? Como se regista a arte efémera?
Será precisa alguma ousadia, mas as respostas as estas perguntas promete mudar-nos o olhar sobre o que nos rodeia...

Inscrições e mais info aqui.

sexta-feira, julho 22, 2016

New York City: view from the hotel room


A adrenalina de estar em Nova Iorque era mais que muita! Tenho sempre a sensação que o meu inglês chega enferrujado aos Estados Unidos e fica sempre melhor na altura de voltar... 

Cheguei ao final da tarde, telefonei à Elizabeth Alley e fomos jantar juntos a um restaurante mexicano (ou seria espanhol?) que estava a rebentar de gente. Esperámos uma eternidade por uma mesa à entrada, naqueles corta vento. Falámos imenso ali mesmo... ao frio. 

No dia seguinte começava a nossa maratona de reuniões e não havia tempo a perder. Acordei cedo, abri as cortinas da janela do Double Tree by Hilton e comecei um projecto que fazia sentido na minha cabeça na altura: um português, com uma técnica asiática, a desenhar em Nova Iorque.

Tenho a sensação que estes desenhos ainda vão sair do caderno para outra coisa qualquer...