domingo, maio 15, 2016

Lagoa do Fogo


Na Lagoa do Fogo, num dia de ventania digna de registo, esforcei-me para entrar na leitura em que Pedro nega Jesus 3 vezes. Como é que nego o meu próprio desenho?


Desci até ao nível zero da Lagoa e fiquei ali mesmo junto à água. Foi uma caminhada e tanto, mas a tranquilidade que se sentia ali nem fazia lembrar o temporal lá de cima.
A percepção da Lagoa é completamente diferente. Enchi o depósito de água do pincel e aguarelei o resto dos meus desenhos nos Açores com água da Lagoa do Fogo!
Entretanto começou a chover e as gotas destiladas da chuva marcaram as manchas de aguarela que tinha acabado de fazer. Fechei o caderno e comecei, rapidamente, a subir a "montanha". Meu Deus, que esforço físico que foi. Descer tinha sido muito mais fácil! Cheguei ofegante e demorei algum tempo a recuperar...

sábado, maio 14, 2016

No topo da Lagoa do Fogo


Depois de ir buscar a Emmanuelle ao aeroporto, como estava um dia lindo, fomos à Lagoa do Fogo. A vista era impressionante lá de cima. Olhei para o lado e via-se quase toda a ilha rodeada pelo oceano Atlântico. Escrevi:

Quando penso no momento em que estas ilhas foram criadas só consigo imaginar o mistério. Vê-se muito bem cada boca do vulcão que ajudou a criar e unificar a ilha de S. Miguel. Vêem-se muito bem as duas cidades principais: Ponta Delgada e Ribeira Grande, o modo como os portugueses foram ocupando a ilha, preservando o interior que ficou com a geografia natural de há milhões de anos.
É um privilégio estar aqui e contemplar esta beleza. É uma benção enorme poder partilhar com outros a minha vida sem segredos. É isso que me tem feito!




(alguma informação sobre este desenho aqui)

sexta-feira, maio 13, 2016

Furnas


Há coisas que não dão para desenhar. Os cheiros são uma delas.
Na Lagoa das Furnas, na ilha de S. Miguel, perguntei à senhora que me vendeu um pão Lêvedo se gostava de viver ali, com o cheio a enxofre, no coração de um vulcão activo...
Deu uma gargalhada e disse (em sotaque açoreano):
Ó senhô, estê muite más segûre aquî do que no mei daquêles maluqes tôdes cume em Bruxêls.
Sorri e disse-lhe: É bem verdade!

quinta-feira, maio 12, 2016

Rabo de Peixe


Ir a S. Miguel e não ouvir falar de Rabo de Peixe é coisa rara.
Estava uma ventania danada, chuva e muito frio. Ainda assim, eu, a Ketta e o Miguel fomos até lá. Estacionámos, demos uma volta, o Miguel comprou um vestido "à marinheira" para a mulher e voltámos para a carrinha. Eu voltei a sair e dei por mim abrigado da chuva à porta da igreja, a desenhar o que podia, colocar aguarela no meio de uma humidade sem fim e ficou assim...

quarta-feira, maio 11, 2016

Alexandra Baptista


O meu amigo  costuma dizer: "o caderno é para estragar".
Cada vez estou com mais vontade de entrar nesta onde dele. Escrevo por cima dos desenhos. Coloco a cor à bruta. Desenho à pressa com canetas mais grossas. Desenho com outra cor por cima de outros desenhos, mas ainda não consegui a pureza que ele consegue...

Neste dia, em pleno Largo da Matriz, em Ponta Delgada, encontrei-me com a Alexandra Baptista dos USk Açores e desafiei-a para um retrato.

É muito bom ver como ela consegue contagiar os alunos com o diário gráfico, sempre com experiências novas, um verdadeiro laboratório plástico, uma inspiração. Este sábado ela vai dar uma formação em Lisboa. É a não perder!
Se conseguir passo lá!

terça-feira, maio 10, 2016

Mãe de Deus em Ponta Delgada


Último exercício do retiro do 1º grupo.
Havia que fazer um balanço e, como nem tudo é desenhável, a escrita apoderou-se do meu caderno.

Fui estacionar a carrinha no alto da mãe de Deus. O Pedro RF foi atrás de mim para estacionar o Opel. Subimos e a vista abriu-se. Para quê descer? 
Enquanto desenhava, o Sr. Vítor Tavares aproximou-se de mim. Meteu conversa e acabou desenhado. Pediu-me para tirar uma fotografia ao desenho, mas o tlm dele não tinha câmara. Foi o Pedro RF que me emprestou o tlm para a fotografia. Enviou-se um sms, mas deu erro. Acho que nunca chegou a receber a fotografia. Nessa altura, o texto ainda não estava lá.
Desci as escadas para trocar com a Ketta. O Matias dormia na carrinha e era a minha vez de ficar com ele. Enquanto dormia, vagueei pelas palavras e fui fazendo o meu balanço. 
Talvez tenha escrito demais, não sei, mas agora ficou assim...

segunda-feira, maio 09, 2016

Gorreana


É difícil apanhar a riqueza cromática dos verdes dos Açores. 
Chegando às plantações de chá da Gorreana, o desafio é ainda maior...

Enquanto desenhava a máquina de secar as folhas de chá, um casal espanhol aproximou-se e estivemos à conversa uns largos minutos. O resumo de tanta palavra trocada seria:
"Esperemos que os turistas não destruam este espírito autêntico que ainda encontramos nos Açores."

domingo, maio 08, 2016

Flaf

 parte de trás do cartão de apresentação do Florian Afflerbach




Sempre que posso compro os projectos artísticos dos meus amigos. Em 2012 eu e a Ketta fizemos uma troca com o Florian Afflerbach e, nunca como agora, este jogo de cartas dele fez tanto sentido.

Estou chocado, desde 6ª feira, quando recebi uma mensagem do Gabi a avisar que o nosso amigo tinha morrido num trágico acidente de viação.

Conheci-o em 2011 no Simpósio de Lisboa. 
Fui à procura e encontrei esta entrevista que fizemos para o apresentar no blogue.

Lembro-me muito bem do caderno A3 dele que, aberto, fazia um A2. Das composições na página. Do espaço em branco. Do rigor alemão, mas com sorriso fácil.
Volta e meia trocávamos emails. Tínhamos a mesma idade.

Em Manchester temos de fazer-lhe uma homenagem. É incontornável...

sábado, maio 07, 2016

Saídos da prateleira

Hoje vou estar em Évora para apresentar o trabalho que tenho desenvolvido nos últimos anos sobre o espiritual no desenho.

Quando se tem muito para dizer e desenhos para mostrar, há que procurar a sabedoria de escolher as palavras certas para transmitir o que é verdadeiramente importante.
Dividi a apresentação em quatro partes: uma mais teórica e depois exemplos de três exercícios, respectivos enunciados e conclusões.


Fui à prateleira dos cadernos para escolher os certos para mostrar.
Saíram da escuridão estes desenhos de Turim, feitos em 2015. 
O Santuário da Consolata foi onde o P. José Allamano foi reitor e onde percebeu que tinha de fundar os Missionários da Consolata. Grande e santo homem!


Turim é uma cidade onde não me importava de viver durante uma temporada.
Acredito mesmo que um dia isso acabará por acontecer...

sexta-feira, maio 06, 2016

Lagoa do Fogo


Chovia muito
e o vento era exagerado.
O nevoeiro rodeava-nos como que a brincar
e a fazer imperar o seu arrepio na espinha.

Se aspirar às coisas do alto,
É assim tão intempestivo,
Só dá para lá ir espreitar
E guardar o vislumbre.


quinta-feira, maio 05, 2016

Ligar o céu e a terra


Ligar o céu e a terra no mesmo desenho.
Dito assim, e sendo o título de um exercício, o mais óbvio seria desenhar a terra e o céu...
Mas não, o que liga o céu só podem ser as pessoas e não a linha do horizonte...
Entre os vários textos de apoio estava este:

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Álvaro de Campos

Depois de desenhar o Sr. Manuel da Cunha, no mesmo banco, a apanhar Sol, estavam estes homens todos. Foi um fartote de ligações entre o céu e a terra, entre todos os sonhos do mundo... que nada significavam, mas que tudo significavam...

quarta-feira, maio 04, 2016

"Rusto" de Cão - S. Roque


- Aquiê Ruste d'cã - Sã Roque
- Como?
- Ruste d'cã - Sã Roque
- Pensava que era apenas São Roque...
- Nã, Ruste d'cã - Sã Roque.

Escrevi o melhor que consegui do que percebi: Rusto de Cão - S. Roque.
Mais tarde, em conversa com a Alexandra Baptista, percebi que deveria ter escrito "Rosto de Cão - S. Roque"!! Claro, agora faz sentido, mas na altura não conseguia transformar o som ûûû num ó. Esta pronúncia açoreana é difícil...

Parece que havia ali uma rocha no mar que, vista de determinado ângulo, fazia lembrar o rosto de um cão. Entretanto parte da rocha desfez-se e já não lembra o fiel amigo de quatro patas. Ficou o nome...

Nesse dia estive à conversa com o Sr. Manuel da Cunha. Trabalhou 32 anos na marinha mercante. Passava mais tempo no mar do que em terra. Hoje está reformado e não tem saudades do tempo do mar. Veste-se de preto. É uma simpatia e de conversa fácil.