sexta-feira, junho 10, 2016

Burano and vaporetto

Dia 4 
(3ª parte)


Andar no vaporetto não é como andar num qualquer outro transporte público. Tem tudo aquilo que um qualquer outro transporte público tem, mas consegue ter mais ainda! Esse mais é que é difícil de desenhar... e acho que não consegui. Desenhei, desenhei, desenhei, mas não consegui guardar no meu caderno a sensação de uma criança com os olhos arregalados a olhar para tudo como se fosse a maior novidade da sua vida...


Não sou 100% eficaz nisto que vou dizer, mas, às vezes, antes de fazer um desenho, já sei que ele vai correr mal. A página ainda está em branco, olho à minha volta e sei, apenas sei. É qualquer coisa sobre o ponto de vista ou o desconforto físico, mas acontece-me ter essa intuição e, normalmente, está certa...
Outra coisa que me acontece (e esta é mesmo 100% eficaz), é saber que um desenho vai correr mal assim que faço a primeira linha.

Neste caso, assim que nos sentámos os três para desenhar eu sabia que aquilo não ia correr bem para o meu lado. Engonhei. Olhei para o relógio para confirmar se havia tempo para desenhar. Olhei em volta e meti conversa com as pessoas só para passar tempo...
Tirei as folhas soltas, a tinta da china e o pau de madeira na esperança que a técnica magnífica do KK me salvasse. Comecei pelo campanário, mas eu sabia... e assim foi. Nem o acabei. Mas também não o rasguei (os desenhos não se rasgam!). Meti-o na capa na esperança de no dia seguinte olhar para ele de modo diferente, mas ficou assim: um desgraçado desenho, feito em Burano, inacabado, que só veio parar ao blogue porque, três dias antes, enquanto fazia este desenho, mal começámos, o Zé Louro disse-me:
- Sabes quando fazemos uma linha e já sabemos que o desenho não tem salvação? (as palavras usadas foram outras, mas não as posso transcrever aqui)




Em honra do meu amigo José Louro, durante a viagem de vaporetto de Burano para Veneza, disse-lhe:
- Zé, nunca te consegui desenhar em condições. Ficas sempre mal nos meus desenhos. Deixa-me lá tentar outra vez.
- Queres que fique assim?
- Assim como?
- A olhar para a Benedetta a desenhar...

5 comentários:

Miguel Antunes disse...

Aquela sobreposição de desenhos (quase BD) está muita bom!

Bem me parecia que Burano me soava a algo conhecido. Quando vi o episódio do No Reservations (do chef Anthony Bourdain) ficou-me na cabeça um restaurante numa ilha perto de Veneza. Era em Burano:

https://vimeo.com/2775503

Tenho mesmo de ir a Veneza!

P.S. gostas mais de Veneza ou Roma?

abraço!!

Mário Linhares disse...

Tens mesmo de ir a Veneza!
Roma é Roma, não dá hipótese a nenhuma cidade, mas Veneza é única, incomparável...
:)

Miguel Antunes disse...

Também acho! :)

E olha acabei de fechar a grande viagem para este ano:
Barcelona-Roma-Veneza-Ljubliana-Zagreb

Finalmente vou a Veneza e a Roma. Vai ser cá um tsunami de coisas para desenhar!

:)

Mário Linhares disse...

Quando achares que estás muito cansado, faz mais um desenho! :)

Miguel Antunes disse...

Eu já antevejo que vou andar cansado mas farei sempre por desenhar mesmo quando não quero

Acho que foi o M. Ali que disse: "Pain is temporary, but glory is forever." :D