quinta-feira, junho 09, 2016

walking in Venice

Dia 4 
(2ª parte)  



À saída da Piazza S. Marco encontrei uma livraria. Entrei para comprar um livro para o Matias. Não interessava se estava em inglês, italiano, ou noutra língua qualquer, tinha era de ser um livro!
Dei de caras com este La Rumeur de Venise, da Albertine. Um pouco caro, mas vale cada euro.


Livro comprado, o destino era agora o Campo di SS Giovanni e Paolo e havia uma longa caminhada a fazer. Como é impossível ficar indiferente a cada esquina da Sereníssima, propus um exercício/jogo: à vez, quando cada um de nós visse algo que gostava mesmo muito de desenhar, parávamos todos e tínhamos 1 minuto para fazer o desenho. Resultado: muita palhaçada, risos e desenhos rápidos.
Conclusão: o Zé Louro é mesmo o mestre deste tipo de registo. Top, mesmo! Espero que ele publique os desenhos muito em breve. Para já, ainda só abriu um pouquinho o livro...


Chegámos então, já esganados de fome, à famosa praça onde está a escultura do Verrocchio. Os venezianos chamam-lhe apenas a escultura Colleone por ser o capitão-general que lá está.

Não queríamos perder tempo e procurámos uma fatia de pizza para passar aos desenhos rapidamente. No caminho, passámos por uma montra recheada de pasta feita à mão. O restaurante fazia fila à porta e a Benedetta disse-nos: logo à noite temos de jantar aqui! Um restaurante italiano cheio de italianos só pode ser bom sinal...


- Epá, vou fazer vários estudos da escultura equestre. - dizia-me o Zé.
- Boa, é assim mesmo, gosto dessa convicção toda!
- Assim daqueles bem arrumadinhos com alçados; tudo como mandam as regras. - insistia.
- Epá, vamos a isso!
- Não queres entrar ali na igreja primeiro, para ver o interior? - isto é só rir à gargalhada. Os planos trocam-se num clique, mas está sempre tudo bem! 
- Vamos lá então. Já que cá estamos... (~ tempo para caminhar e entrar ~) Uau, olha para trás - disse eu mal passámos a porta de entrada - parece que a fachada veio para o interior...
- Inacreditável...
- É preciso pagar para ir mais lá para dentro.
- Epá, não vale a pena. Vamos sair para desenhar...
- Ok, agora é que é!

E fui à procura de um local onde me sentar. Encontrei uma pequena coluna, mesmo junto à água do canal, onde me encostei depois de me sentar no chão. Desenhei primeiro a escultura sem mais nada à volta. Queria dar-lhe a importância devida e, como no desenho nós é que decidimos o que fica no papel, ficou assim com todo aquele espaço em branco para respirar
Depois peguei na caneta sépia e comecei por onde começo sempre: a esquina vertical mais perto de mim. A escultura, essa, ficou apenas a linha de contorno neste segundo desenho e fiquei agora com uma certeza: se um dia voltar a Veneza, além da Giudecca, este local passará a ser de passagem obrigatória!


Fomos depois ao Rialto levar a Alessandra de volta (ela que tinha feito o workshop no domingo e passou a andar connosco a desenhar todos os dias) e, nesse caminho de regresso, fizemos um upgrade ao nosso exercício: mais tempo! Três minutos passaram a parecer uma eternidade e a adrenalina de desenhar à velocidade da luz perdeu-se... Há encantos que só funcionam se parecerem utopias...

Do Rialto fomos apanhar o vaporetto para Murano. Este dia ainda tinha muito para acontecer...

5 comentários:

Miguel Antunes disse...

É caso para dizer "Foram apressadamente" :)

O desenho a sépia está simplesmente perfeito. Parece que o imprimiste de algum livro. Perfeito!


:)

Mário Linhares disse...

Miguel, estou a adorar as tuas mensagens entre linhas! :)
Lindo!

Miguel Antunes disse...

:D sinto-me inspirado :D

Olha e mostraram-me uma foto de um quarto de um hotel que vai dar que falar com uns desenhos em grande!

Mestre!

nelson paciencia disse...

Que deliciosos estes teus posts de Veneza. Ao ler os teus diálogos, quase que ouço as vozes e as gargalhadas do Zé Louro, que bom deve ter ido esta viagem. Um dia, e espero que em breve, hei-de regressar a Veneza, e se puder espero fazer uma "camioneta" de desenhos...

Mário Linhares disse...

Miguel: tu andas muito bem informado! Fartei-me de trabalhar para esse projecto. Espero que fique mesmo bem...

Nélson: obrigado! Veneza merece a camioneta de desenhos! Devia era haver um Simpósio USk lá. Seria INACREDITÁVEL. Se os italianos não organizarem, organizamos nós! eheh