terça-feira, janeiro 06, 2009

Fotografia: Guiné-Bissau | Photography: Guinea-Bissau


É... trata-se quase de um semi-deus mitológico!
(para citar os amnistisiados que se anteciparam ao meu comentário à foto)

Mas há nesta pequena rapariga uma monstruosa diferença aos deuses gregos e romanos. Enquanto eu, a Patrícia e a Ir. Anistalda caminhávamos pela lama que se enfiava quase até aos joelhos, com caranguejos por todo o lado a ameaçar picar as pernas, e conchas no fundo a rasgar a pele da palma do pé, só para chegar até este momento, junto das mulheres que pescam quando a maré está baixa, apenas duas das raparigas guineenses ficaram para trás para nos ajudar. Ou seja, abdicaram de alguns minutos de pesca para que nós conseguíssemos fazer aquele doloroso percurso. Uma delas era a Helena. A outra era esta rapariga pequena.

Nesse dia ainda não sabíamos que íamos gravar a Helena para o documentário. Apenas fomos com as mulheres pescar. Não sabíamos onde nos estávamos a meter...

Esta rapariga conversou pouco connosco, aliás, nem me lembro de lhe ouvir a voz. Mas lembro-me de vê-la a ajudar a Ir.ª Anistalda a caminhar, a apoiá-la quando escorregava na lama. Guardou-lhe as sandálias no balde que levava à cabeça para que não ficassem presos no fundo da lama. No meio de tudo isto, sorria para nós e mostrava como estava longe do habitáculo dos deuses gregos e romanos... Olimpo! Estava cá em baixo... connosco... e é essa a monstruosa diferença desta rapariga para com os deuses do Olimpo.

Às vezes sentimo-nos lá no alto... como se estivéssemos no Olimpo... mas na realidade deveríamos estar cá em baixo, fazendo-nos pequeninos, pois só assim nos tornamos grandes, com uma grande visão, plena de tudo... só assim estamos atentos e não ficamos indiferentes.


13 comentários:

Amnistisiados disse...

Magnífica foto, aliás como todas as outras! A pesca, não é?

A tal simplicidade, que torna a imagem tão bonita, digna de qualquer deus mitológico...:)

Cristiana disse...

Gostaria de salientar a expressão que foi referida "fazendo-nos pequeninos, pois só assim nos tornamos grandes, com uma grande visão, plena de tudo... só assim estamos atentos e não ficamos indiferentes.". Realmente é nos pequeninos, se assim lhe podemos chamar, que habita as maiores grandezas. A humildade, a inter-ajuda e o sorriso dos lábios da rapariga da foto fazem dela um ser grande que ultrapassa todos aqueles que se acham grandes e que no fundo não passam de pequenas particulas que nunca encontraram a verdadeira essência do que é viver em grandeza.
É no ser mais pequeno que se encontra a maior riqueza interior, exemplo concreto disso é a escolha que Jesus fez ao referir "Venham a mim todas as criancinhas".

Amnistisiados disse...

Concordo perfeitamente com o que disseram (Mário e Cristiana). É da simplicidade que nascem as melhores e mais bonitas coisas da vida.

E pessoas como a Helena ou a menina da foto chegam bem acima das pessoas ditas importantes, porque sabem dar valor à vida.

Cada vez gosto mais de Empada. E mesmo não conhecendo todas estas pessoas, sinto-me cada vez mais próxima delas...:)

Fil disse...

Desde já peço desculpa por uma critica deste âmbito, no entanto não poderia deixar passar isto despercebido. A ideia no geral é interessante, mas sinceramente qualquer pessoa que possa ter o mínimo de interesse acaba por o perder ao ser confrontada com o mau português que assim se escreve. Sou-lhe muito sincero, por parte dum professor, nunca esperei que fosse possível dar erros tão básicos de língua portuguesa. Honestamente não iria criticar se este blog fosse mais generalista ou simplesmente abordasse temas menos sérios do que os que são aqui apresentados. É no mínimo triste quando faz referências a fotografia mostrando um profundo desconhecimento do tema. "Fotografia lomográfica". Bem só se for noutro país de língua portuguesa, porque cá diz-se "uma lomo", ou "uma lomografia". Para bem das pessoas que lêem este blog, e para bem dos jovens que aqui vêm buscar inspiração ou material de trabalho, peço-lhe encarecidamente para que trate com mais cuidado a nossa língua. Não é preciso muito. Apenas necessita de não dar erros tão básicos e crassos. Abraço

Mário disse...

Caro Fil

Quando comecei a ler o teu comentário pensei para comigo: "Bolas! Lá está a minha humanidade errante a fazer das suas…"

Contudo, parece-me um pouco exagerado considerares no mínimo triste o uso do tema Fotografia Lomográfica. Se reparares bem nos temas que o blog tem, o que está lá escrito é Lomografia, mas sobretudo, o cerne do blog aborda questões que pretendem ser uma reflexão pessoal sobre uma experiência vivida na Guiné. Algumas das reflexões levantam questões que são de facto relevantes e que nos deviam fazer reflectir de forma mais profunda, não nos prendendo em detalhes.

Aproveito para ajudar a esclarecer a questão Lomográfica, já que não ficou suficientemente elucidada com o teu comentário. Começando pela palavra Fotografia. Dividida em duas, obtemos a palavra Foto, que está relacionada com os Fotões (palavra utilizada por Einstein para rebaptizar as Partículas de Luz, até então denominadas de Quanta), que, explicando de forma simples, ajudaram a entender o fenómeno da Luz. A outra parte da palavra é Grafia, ou seja, o modo de registo. Portanto, juntando Luz (fotão) e Grafia, o resultado é Fotografia, o registo da Luz numa película sensível a ela.

Passando à palavra Lomografia:
A palavra Lomo está relacionada com a marca da máquina fotográfica (Lomo Kompact Automat) que a Antiga União Soviética produziu em série para que as famílias pudessem registar o seu modo de vida. A máquina Lomo é genial, pois sendo uma máquina compacta, permite o controlo do diafragma e a escolha da sensibilidade das películas. As máquinas Lomo espalharam-se rapidamente pelos países de regime comunista como o Vietname, Alemanha de Leste e Cuba.

Depois da queda da União Soviética, a fábrica de St. Petersburgo deixou de fabricar as Lomo, pelo que estiveram quase a extinguir-se. Este facto só não aconteceu porque dois jovens estudantes vienenses as descobriram numas férias no início dos anos 90 e ficaram encantados com as cores com que as fotografias ficavam depois de “registadas” pela Lomo. Daqui surgiu a Lomografia, ou seja, um novo modo de registar a luz através de uma máquina fotográfica Lomo. Rapidamente se criaram novas máquinas (fisheye, supersampler; colorsplash, holga, pop9, etc.) e o fenómeno Lomo expandiu-se. Neste momento existem dezenas de máquinas, cada uma com seu nome, mas fazem todas parte do fenómeno Lomo.

Sim, é verdade que em Portugal, muitas vezes, diz-se “uma lomo” fazendo referência a uma fotografia registada com uma máquina Lomo. É errado dizê-lo, mas tal aceita-se pacificamente. Não é triste! Talvez fosse mais correcto dizer-se “uma lomografia”, já que é um registo segundo um estilo muito próprio e quase “sem regras”, da luz numa película sensível, mas se há uma coisa que eu conheço bem na Lomografia é o seu espírito relaxado, onde os erros de perspectiva são aceites com uma gargalhada e as cores são o deleite principal.

Espero ter ajudado os meus poucos leitores deste blog a entenderem melhor o assunto.
Aproveito para te dar os parabéns pelos poemas que tens no teu blog. De certeza que servem de inspiração a muitas pessoas. Continua o bom trabalho!

Abraço

Fil disse...

"Lomography is a new take on an old style of analogue photography. The Lomo L-CA, from which Lomography takes its name, was a camera originally produced during the Communist period in St. Petersburg, Russia, though the design has recently been bought up by a Swiss firm who market it as a 'fashion camera'. The Lomo L-CA has a maximum film speed of 400 ISO, and (like all modern point and shoot cameras) keeps the shutter open long enough for each picture to be accurately exposed. The combination of automatic exposure, relatively fast film speeds, and small size encourages the Lomo user to take slightly absract photographs.

Lomography emphasizes a casual 'shoot from the hip' attitude. Never mind when a a picture is out of focus or the framing is odd. Shoot first, judge later. Others use the technique to document everyday life, not by a well composed picture, taken at exactly the right moment, but rather by producing a series of undirected pictures that together tell a story. There are a large number of Lomography websites." (in Webster's)


Pelo que sei não se pode usar a definição de uma determinada palavra na mesma palavra. Mas bem não discuto isso. Só penso que deveria ter mais cuidado ao escrever.

Amnistisiados disse...

Os erros acontecem, embora este "erro" possa ser discutido. E acho que apontar um "erro" desses não fica muito bem, quando o que realmente importa (pelo menos no caso específico deste blog) é o conteúdo, não querendo ceder menos importância aos aspectos linguísticos.

E erros, todos cometem. Todos mesmo.

Mas acho muito bem que se corrija os erros de quem os comete, é um contributo à nossa língua. Mas neste caso...

Um bem haja a todos! :)

Anónimo disse...

opss

Anónimo disse...

Parabéns, Mário.
Estás a fazer um excelente trabalho.

Todos os dias leio este blog porque me fascina bastante, tanto as imagens como os textos que as acompanha.

De todas as vezes que leio este blog, as palavras conseguem levar-me numa viagem inesquecível… atrevo-me a dizer que chegam até a “matar saudades” de lugares onde nunca estive…

De todas as vezes que leio este blog, o desejo de chegar a algum lado e de estar ao lado de alguém é tão forte que os erros que existem nas palavras passam despercebidos… afinal, uma pedra no caminho não é suficientemente forte para se tornar num obstáculo para a nossa meta…

De todas as vezes que leio este blog fico com vontade de conhecer o ser humano que está por trás das palavras que aparecem no meu ecrã… é que ultimamente tem sido difícil encontrar pessoas que conseguem levar outras a sonharem…



Mário, quanto ao erro que cometeste… “ganda” falha a tua: num blog onde partilhas a tua experiência na Guiné-Bissau escreveres “Fotografia lomográfica”…
Parabéns ao Fil pela correcção descontextualizada.

M.

Fil disse...

Atenção. Eu não corrigi apenas isso. Se bem que esse foi um dos erros. Aliás foi apenas um exemplo. No entanto falo sim de vários erros no blog. Toda a estrutura frásica é incorrecta, em grande maioria dos posts. Falei disso sim porque conheço o projecto em que o Sr. Mário está envolvido e penso que mais do que tudo ele deverá dar um exemplo aos jovens que aqui vêm recolher informação. No entanto reconheço o bom trabalho, mas há que ter cuidado. Conheço exemplos de grupos que acabaram por ver este projecto com uma "leveza moral" que não deveria existir. Talvez por não compreenderem a seriedade do projecto. Se este blog pretende ser um exemplo, terá que dar esse mesmo exemplo. De resto a iniciativa é óptima sendo que a apoio a 100%, e invejo o facto de não ter tempo e disponibilidade para contribuir da mesma forma.

Duarte disse...

"Toda a estrutura frásica é incorrecta, em grande maioria dos posts."

Caro FIl,
Mesmo que esta afirmação fosse verdadeira, seria sensato apontá-lo a quem tenta,não só partilhar num blog, como levar avante um projecto desta natureza?


Parabéns pelo Blog, tem excelentes textos e fotografias.Acrescentava apenas uma referência musical do Mali: Ali Farka Toure.

Mário disse...

Sugestão mais do que aceite!

Obrigado Duarte!

cristiana disse...

"Quem nunca pecou que atire a primeira pedra!" Acho que de certo modo esta frase biblica poderá ir ao encontro da linha de pensamento que deverá ser feita por grande parte das pessoas.

Toda a palavra retoma o seu sentido conforme o contexto que cada um lhe dá. Cabe ao utilizador saber utilizar as palavras de forma construtiva e não destrutiva, pois só uma opinião inteiramente fundamentada e coerente poderá ser valorizada!